O Portal dos Jornalistas menciona empresário do Tocantins que estaria lavando dinheiro com o site

Poucos sites na internet eram tão bons quanto o “no mínimo”, que reunia jornalistas do primeiro time. Mas o sucesso jornalístico não era acompanhado da correspondência comercial e o “no mínimo” morreu. A internet abre mil oportunidades ao jornalismo — o bom, o médio e o ruim. O problema é como manter os sites e blogs. Criar sites é relativamente fácil e não é dispendioso, mas sustentá-lo é muito difícil, quase impossível. Porque não se descobriu como a iniciativa privada — e mesmo governos — pode bancá-los, sem aviltar seu conteúdo. Por vezes, o que parece picaretagem explícita, é mais falta de dinheiro mesmo, investimento sem planejamento, no qual todos embarcaram acreditando na descoberta do eldorado jornalístico. Jornalistas, por sinal, são mais crédulos do que os empresários. Quando percebem uma boa ideia, como o portal Fato Online, largam tudo e embarcam, como se diz, de cabeça no negócio ou mesmo aventura.

O portal Fato Online, de Brasília, começou muito bem, com reportagens e artigos de qualidade. A equipe era espantosamente ótima, com Helena Chagas, Cecília Maia, Andrei Meireles (um dos melhores repórteres investigativos do país), Lúcio Vaz, Sheila D’Amorim, Orlando Brito (lenda da fotografia) e Rudolfo Lago. Não é, como se vê, um time — é uma seleção. O empresário Sílvio Assis, do Amapá, soube contratar. Mas não sabe como pagá-los e, por isso, o portal está à morte, baleado. A empresa chegou a ter 100 funcionários e, como se sabe, é complicado pagar um exército desse tamanho.

Os repórteres, editores e demais funcionários não recebem há meses. Sílvio Assis tentou transformar alguns jornalistas em cotistas, mas nenhum aceitou. Como ser cotista de uma espécie de Titanic jornalístico?

O Portal dos Jornalistas publica uma informação, que parece de Lúcio Vaz, mas talvez não seja: “O investimento na empresa pode ter partido de lavagem de dinheiro por parte de um empresário do Tocantins, que teria no momento fechado as torneiras”. Trata-se de uma informação relevante, mas o portal não buscou ampliá-la. Quem é o empresário do Tocantins e quais são as evidências de que o Fato Online era uma forma de se lavar dinheiro? Talvez tenha sido apenas uma boa ideia que não vingou. De resto, merece pelo menos uma reportagem que conte a história de sua criação, como se tornou um caso de sucesso e, em seguida, por quais razões feneceu. Pode-se começar relatando a história do tal empresário do Tocantins.