O jornal demitiu a editora, a competente Manya Millen 

O “Estadão” inaugurou a onda de degola da cultura ao extinguir o excelente suplemento “Sabático”. Hoje, aos sábados, sua cobertura de livros — resenhas e ensaios — é a mais pálida possível. A “Folha de S. Paulo” resiste com uma cobertura mais ampla, tanto na “Ilustrada” quanto na “Ilustríssima” (um suplemento que parece não ter encontrado sua identidade). Agora, o Grupo Globo anuncia o fim do suplemento “Prosa”, ex-“Prosa & Verso”, um dos melhores, senão o melhor, da praça.

A editora do “Prosa”, a competente Manya Millen [foto acima, de seu Facebook], foi demitida. Sua filha Julia Millen escreveu no Facebook: “Desde pequena eu aprendi que o (bom) jornalismo é só para quem o ama loucamente. E desde muito pequena ela [Manya Millen] me ensinou a amar as palavras e os livros como ninguém. Desde não tão pequena, porém, ela (minha mãe) me ensinou o quanto esse mesmo jornalismo era difícil, o quanto sobreviver de jornalismo era complicado, e o quão saturado e instável era o mercado do impresso, o jornalismo de discussões infinitas que rodavam pelo tema: ‘será que com a internet o jornal irá acabar?’. Por muito tempo me forcei a acreditar que não, hoje eu tenho certeza que sim. Hoje, após 20 anos, o ‘Prosa’ vai deixar de existir”.

Comentando o que disse a filha, Manya Millen escreveu: “É muito reconfortante ver o quanto você e sua irmã amam as palavras, os livros, amam a paixão por ambos. Se eu contribuí, então já vale toda a existência. O resto é o resto. E seguimos amando as palavras, os livros, acreditando que eles ainda têm poder de mudar vidas”.

Sou assinante de “O Globo” na internet, mas, aos sábados, sempre comprava o jornal por causa do “Prosa”. Deixarei de comprá-lo.