Elder Dias
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O cãozinho magro do pet shop de Goiânia: como o “jornalismo de Facebook” pode destruir reputações

Mesmo com apuração posterior do quadro real de um boato, a velocidade de propagação da notícia falsa e prejudicial é muito maior do que a da publicação de qualquer correção

A foto que viralizou na internet: um cão, como uma criança, é uma  das poucas criaturas ainda capazes de causar extrema comoção  | Arquivo pessoal

A foto que viralizou na internet: um cão, como uma criança, é uma
das poucas criaturas ainda capazes de causar extrema comoção | Arquivo pessoal

O “efeito manada” nas redes sociais vitimou, na semana passada, um pet shop em Goiânia. A foto de um cachorro da raça boxer com costelas à mostra foi exposta no Facebook, gerando revolta entre os internautas, que passaram a compartilhá-la até que se tornou um “viral” (vídeo ou notícia que se espalha rapidamente, como um vírus costuma fazer).

Pelo ângulo em que foi clicada e pela posição do animal, a primeira impressão era de que ele estava doente e desnutrido. Sendo assim, a loja estaria sendo negligente com seus bichos. Colaborando para a propagação dos milhares de compartilhamentos estavam personalidades como a apresentadora Luisa Mell e a atriz Yasmin Brunet. Interessante como duas criaturas — animais e crianças (estas, desde que não sejam menores infratores, para os quais a condescendência é geralmente nula) — ainda costumam sensibilizar acima da média os usuários de redes sociais.

Coube ao jornalismo convencional apurar o que o “jornalismo de Facebook” gritou sem verificar. E então souberam que a loja Vida de Cão, no Goiânia Shopping, está com toda a documentação regular, sob administração de uma veterinária, Luciana Meguerditchian, e que nenhuma fiscalização já feita lá havia encontrado qualquer irregularidade.

Veículos de grande alcance, como o jornal “O Popular” e a TV Anhanguera, fizeram o papel de corretores da equivocada informação inicial das redes sociais. Mas a velocidade de propagação da notícia falsa e prejudicial é muito maior do que a da publicação de qualquer correção. Muitos dos que leram a versão que viralizou — a de que um animal estava sofrendo maus-tratos em uma loja situada em um dos principais shoppings da cidade — não tiveram acesso à retificação — a de que não era nada disso. Quem vai arcar com o prejuízo da empresária?

Não é a primeira vez que postagens irresponsáveis em redes sociais trazem efeitos danosos. Mesmo que haja um “pedaço de verdade”, grande ou pequeno, em cada uma dessas histórias — como, por exemplo, no caso da carne estragada em uma churrascaria da capital —, não será, ainda assim, uma apuração adequada dos fatos. Mais um motivo para multiplicar os cuidados ao compartilhar algo que possa afetar um suposto “vilão”. Até por esse poder mesmo não passar apenas de ser “suposto”.

7 respostas para “O cãozinho magro do pet shop de Goiânia: como o “jornalismo de Facebook” pode destruir reputações”

  1. Avatar Frederico disse:

    Mas que o filho do Lula é dono da JBS, isso é verdade, vi no facebook rs.

  2. Avatar Thiago Sousa disse:

    Da Churrascaria não era o queijo? Inclusive vi no jornal do Almoço que o local foi de fato interditado…

  3. Avatar Giuliane disse:

    O local de instalação desse pet por si só é um absurdo e no meu ponto de vista e muito me admira não ter sido multado e maus ainda ter licença de funcionamento. Gente é no subsolo de um shopping!! Imaginem vcs o stresse desses filhotes, passar semanas sem sol, respirando exclusivamente por ar condicionado, ouvindo ruídos dos veículos e buzinas. Um absurdo!!!

  4. Avatar Elaine Freitas disse:

    Eu continuo vendo maus tratos nessa situação. É muito fácil pra loja (não estou dizendo que foi o caso, mas vivemos no brasil) pagar uma grana pra fiscalização falar que está tudo ok.

    • Dá agonia da galera procurar teoria de conspiração em tudo. A veterinária, que estudou muito pra saber disso, explicou que o animal estava em fase de desmame, e não estava aceitando a nova dieta de ração. É uma coisa normal ele emagrecer até que se acostume com alguma ração.

      Minha cabeça acha muito mais difícil criminalizar uma pessoa antes que tenha provas concretas de qualquer coisa.

  5. Avatar Raquel Lizandra disse:

    Só de estar preso nessa gaiola já são maus tratos.

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