Euler de França Belém
Euler de França Belém

O brilhante Couto de Magalhães é o Fitzcarraldo dos trópicos e da vida real

Divulgação

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A Editora Kelps relançou o livro “Viagem ao Araguaia” (a primeira edição é de 1863), do general mineiro Couto de Magalhães. Uma obra-prima histórica, praticamente documental.

Couto de Magalhães foi presidente das províncias de São Paulo e Goiás. Lutou na Guerra do Paraguai, no Mato Grosso, foi dono de banco, construiu ferrovia (foi sócio de Mauá), morou na Inglaterra, sabia francês, inglês, alemão e tupi. Homem brilhante, deixou um diário com passagens (descrições de sonhos, possivelmente) homoeróticas (moderníssimas, por sinal, e material de primeira para psicanalistas), escritas num dialeto indígena (muito difícil de ser traduzido). Há um livro notável a respeito: “Um toque de Voyeurismo — O Diário Íntimo de Couto de Magalhães (1880-1887)”, do doutor em história Márcio Couto Henrique.

Desbravador, trouxe um barco da Inglaterra. No Brasil, do Rio de Janeiro para Goiás, foi transportado nos ombros de várias pessoas e colocou-o para navegar no Rio Araguaia. Naufragou, perdeu um funcionário querido (que o salvou), mas não desistiu. Era um resistente. Um homem de seu tempo, mas profundamente visionário, o que não é o mesmo que nefelibata.

No excelente filme “Fitzcarraldo”, Werner Herzog conta a história de um homem obstinado, quiçá enlouquecido, que tenta levar um barco para a Amazônia. Couto de Magalhães, um homem que concluía o que planejava, antecipou a personagem do diretor de cinema alemão.

Quem quiser conhecer um pouco mais sobre este político, militar, empresário e banqueiro excepcional deve ler o belíssimo e muito bem formulado romance “Couto de Magalhães — O Último Desbravador do Império”, do médico Hélio Moreira, professor aposentado da Universidade Federal de Goiás. O roman à clef, esgotado, merece nova edição. Urgente.

Se fosse americano ou europeu, Couto de Magalhães já teria sido biografado dezenas de vezes e teria sido motivo de vários filmes e documentários.

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