Euler de França Belém
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Nobel de Economia diz que oligarcas “de” Putin “furtam” a Rússia e o povo russo

“Em 2015, a riqueza estrangeira oculta dos russos ricos correspondia a cerca de 85% do PIB do país”, afirma professor da Universidade de Nova York

O economista Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia de 2008 e professor da Universidade de Nova York, diz que, se tiverem vontade, as potências ocidentais, como os Estados Unidos e o Reino Unido, poderão acossar a Rússia de verdade, e não de mentirinha. Excluir a Rússia do Swift, “o sistema belga para pagamento entre bancos internacionais”, é o primeiro passo. Mas as “democracia avançadas”, postula o mestre americano, “podem ir atrás da vasta riqueza estrangeira dos oligarcas que cercam Putin e o ajudam a permanecer no poder. (…) Há tanto dinheiro russo altamente visível no Reino Unido que algumas pessoas falam sobre ‘Londongrado’”.

Vladimir Putin, presidente da Rússia: leniente com os oligarcas | Foto: Reprodução

Citados por Krugman, os economistas Filip Novokmet, Thomas Piketty e Gabriel Zucman apuraram que “a Rússia registra enormes superávits comerciais todos os anos desde o início dos anos 1990 — o que deveria ter levado a um grande acúmulo de ativos no exterior”. Porém, frisa o economista, “a estatísticas oficiais mostram a Rússia com apenas um pouco mais de ativos do que passivos no exterior. Como isso é possível? A explicação óbvia é que os russos ricos estão roubando grandes somas e as estacionando no exterior”.

Krugman afirma que, de tão grandes, “as somas envolvidas são incompreensíveis”. Filip Novokmet e os outros dois economistas “estimam que, em 2015, a riqueza estrangeira oculta dos russos ricos correspondia a cerca de 85% do PIB do país. Para dar alguma perspectiva, é como se os comparsas de um presidente do Estados Unidos tivessem conseguido esconder 20 trilhões de dólares em contas no exterior”.

Paul Krugman: um dos mais importantes economistas dos Estados Unidos | Foto:
Reprodução

Um artigo de Gabriel Zucman, escrito em parceria, informa “que, na Rússia, ‘a grande maioria da riqueza no topo da pirâmide é mantida no exterior”. Noutras palavras, a Rússia — os russos — está sendo roubada e o dinheiro, trilhões, é mantido noutros países. Para a segurança — relativa — daqueles que estão furtando um país e um povo.

O detalhe é que, segundo Krugman, “os governos democráticos podem ir atrás desses ativos. A base legal já existe, por exemplo, na legislação chamada de Ato para Combater o Inimigos dos Estados Unidos por meio de sanções, assim como a capacidade técnica”. O economista enfatiza que “há meios para colocar uma enorme pressão financeira sobre o regime de Putin (em oposição à economia russa)”. Porém, o Nobel de Economia insiste num ponto: “Mas há vontade? Essa é a questão do trilhão de rublos”.

Thomas Piketty: economista francês aponta a existência de uma cleptocracia trilionária na Rússia do presidente Vladimir Putin | Foto: Reprodução

Krugman anota que há dois fatos não confortáveis. “Primeiro, várias pessoas influentes, tanto nos negócios quanto na política, estão profundamente enredadas financeiramente com cleptocratas russos. Isto é especialmente verdade no Reino Unido. Em segundo lugar, será difícil ir atrás de dinheiro russo levado sem tornar a vida mais difícil para todos os lavadores de dinheiro, de onde quer que venham — e embora os plutocratas russos possam ser os campeões mundiais nesse esporte, eles não são os únicos”. Ou seja, o que se pegará não será tão-somente os russos, mas um sistema que beneficia muita gente graúda, inclusive no Brasil.

A conclusão de Krugman é dura (e realista): “O que isso significa é que tomar medidas efetivas contra a maior vulnerabilidade de Putin exigirá enfrentar e superar a própria corrupção do Ocidente. O mundo democrático poderá enfrentar esse desafio? Descobriremos nos próximos meses”.

A base deste texto é o artigo “Lavagem de dinheiro, a fragilidade de Vladimir Putin”, de Krugman, publicado no “New York Times” e republicado no Brasil em “O Estado de S. Paulo” (na edição de 26 de fevereiro).

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