Euler de França Belém
Euler de França Belém

Não dá para esconder imagens de jornalistas sendo decapitados pelo terrorismo do Estado Islâmico

Piloto jordaniano queimado por terroristas do Estado Islâmico

Piloto jordaniano queimado por terroristas do Estado Islâmico

A jornalista Dorrit Harazim, secundando outros autores, escreveu, em “O Globo”, artigo no qual condena a divulgação das imagens de jornalistas (e quaisquer outras pessoas) sendo decapitados (ou, no caso piloto jordaniano, queimado) pelos terroristas do Estado Islâmico.

Seu argumento: a divulgação é tudo aquilo que os líderes do Estado Islâmico querem. Ao assustar indivíduos de todo o mundo, sugerindo que é incontrolável e que os estadistas das grandes potências devem subordinar-se às suas propostas, o Estado Islâmico planeja provar que tem poder e não hesita. Para expor o que quer, conta com a anuência da mídia internacional, que exibe as imagens das mortes parcial ou integralmente.

Se o Estado Islâmico quer isto mesmo, que as cenas sejam exibidas em todos os países, então é mais inteligente não divulgá-las? Não divulgá-las muda o quê mesmo? Não muda nada. Se os grandes jornais e redes de televisão deixarem de mostrá-las — com o objetivo de não chocar e de não contribuir para fortalecer os terroristas —, o Estado Islâmico não deixará de cometer os crimes. Porque conta com um fenômeno que mesmo jornalistas ainda não conseguem dimensionar de maneira precisa — a internet. “Retirar” as imagens das grandes redes e publicações não significa que não serão mostradas, vistas e comentadas, por milhões de pessoas, inclusive jornalistas.

Cabe a cada publicação e rede de televisão mostrar as cenas ou não. Eu, por exemplo, não aprecio vê-las. Mas defendo a divulgação integral e quem não quiser ver, por um motivo ou não, que não veja. As cenas brutais, uma volta à barbárie, colocam o mundo, cada vez mais, contra os terroristas e, erradamente, contra os árabes em geral. Exibi-las, por sinal, reforça a ideia de que uma intervenção transnacional — e não apenas norte-americana — é vital no Iraque e outros países.

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