Euler de França Belém
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Morre o publicitário e escritor Paulo Lima, de 50 anos

Paulão da Uniart escreveu literatura infantil e contos adultos de alta qualidade. A doença impediu que escrevesse e publicasse mais livros

Paulo Lima com suas filhas | Foto: Facebook

O publicitário Paulo Lima, de 50 anos, morreu na quarta-feira, 25. Ele estava internado, há mais de um mês, na UTI do Hospital São Lucas, em Goiânia. O velório será no Parque Memorial, a partir das 19 horas. O sepultamento será na quinta-feira, 26, às 9 horas, no mesmo cemitério.

Conhecido como Paulão da Uniart — trabalhou em várias agências (era redator publicitário e revisor de textos) — e havia escrito dois livros, “Cara de Paisagem” (infantil) e “Baile de Despedida” (contos, inédito e premiado no Fundo de Arte e Cultura de 2016). Era um contista de primeira linha. O poeta Carlos Willian, seu amigo, conta que Paulo Lima “dependia de nutrição parenteral, já que não tinha uma parte do intestino e o organismo não absorvia os nutrientes, por isso era internado com alguma frequência. Numa dessas idas ao hospital, para fazer a reposição de nutrientes, os médicos descobriram que seus rins estavam paralisados”.

O publicitário Paulo Lima com o amigo José Carlos Guimarães, crítico literário e escritor | Foto: Facebook

Carlos Willian diz que era “ótimo contista”. Li dois contos de sua autoria, todos muito bem escritos e imaginados, com uma fluência extraordinária.

Paulo Lima deixa mulher e duas filhas.

Depoimento

Conheci Paulo Lima há pouco mais de um ano, se tanto. Na minha idade e na dele, 55 e 50 anos, é mais difícil fazer novos amigos. Mas, de cara, simpatizei com o escritor que me visitou, na redação do Jornal Opção, acompanhado do crítico literário e escritor José Carlos Guimarães. Passamos a manter contato pelo e-mail e pelo Facebook. Seus comentários eram, além de pertinentes, inteligentes e divertidos. Ele tinha o dom de escrever com clareza e imaginação literária. Não fosse a doença, teria escrito mais livros, porque talento nunca lhe faltou. O que lhe faltava era saúde.

Eu e Paulo Lima nos identificamos também por outro motivo: tomávamos (eu ainda tomo) anticoagulantes. Nossos problemas não eram idênticos — sou trombofílico (e quase morri, se posso dizer assim, em 2012) —, mas parecidos, em alguns pontos, e passamos a dialogar a respeito. Paulo Lima não se vitimizava, ria de seus problemas (sabia que eram graves) e era bem-humorado. Ele vai fazer falta, para os amigos e companheiros de jornada. Mas o país (e não apenas Goiás) perde um escritor, que, se fosse menos humilde, já estaria relativamente consagrado.

2 respostas para “Morre o publicitário e escritor Paulo Lima, de 50 anos”

  1. Renato Mesquita disse:

    Grande pessoa, excelente amigo. A vida pôs um ponto no final de seu papel que ainda tinha tinta pra correr.

  2. Cristiano Deveras disse:

    Belo depoimento. Paulão teria dado aquele sorriso e, marca dele, diria: “Nem é isso tudo!”

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