Euler de França Belém
Euler de França Belém

Morre o poeta, tradutor e crítico Fernando Py, aos 84 anos

O laudo médico registra que morreu de insuficiência e pneumonia. O exame para saber se tinha Covid-19 ainda não está pronto

Fernando Py, como intelectual, é/era um ser múltiplo. Parecia saber tudo, ou quase. Tradutor exímio, enfrentou uma pedreira: o super romance “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust, com seus parágrafos longos e histórias enviesadas (e de uma lógica que impressiona). Para o escritor francês, não havia essa história de “menos é mais” — que é uma visão limitadora da grande literatura, uma tentativa de reduzi-la a uma ou duas correntes coirmãs. Como crítico, não se preocupou apenas com autores canônicos do país e do mundo. Escreveu sobre vários escritores brasileiros — alguns deles goianos (Coelho Vaz, um bardo de qualidade, mas às vezes subestimado). Era um crítico empático, que lia atentamente a obra, e não ideologias, e a comentava com percuciência. Era também poeta — refinado, o que não quer dizer pomposo.

Fernando Py: poeta, crítico literário e tradutor | Foto: Reprodução

Fernando Antônio Py de Mello e Silva morreu na quinta-feira, 21, aos 84 anos (faria 85 no dia 13 de junho), de insuficiência respiratória e pneumonia. Estava internado, desde quarta-feira, 20, no Hospital Santa Tereza, em Petrópolis. O jornal “Tribuna de Petrópolis”, no qual era colunista, relata que o exame de Covid-19 sai daqui a cinco ou sete dias. O poeta deixa três filhos e quatro netos.

A Ibis Libris Editora publicou “Confissão Geral — Poemas Reunidos (1959-2009)”, em 2010. Fernando Py teve parte de sua obra traduzida para o alemão, inglês, espanhol, francês e italiano.

A crítica goiana Darcy França Denófrio — excelente poeta — escreveu “Da Aurora de Vidro ao Sol Noturno — Estudos Sobre a Poesia de Fernando Py”. Saiu pela Cânone Editorial. Ele tinha amigos em Goiás, como Darcy França Denófrio, Coelho Vaz e Miguel Jorge.

Livros de Fernando Py

Aurora de vidro (poesia). Rio de Janeiro, Livraria São José, 1962

A construção e a crise (poesia). Rio de Janeiro, Simões Edições, 1969

4 poetas modernos (poesia, em colaboração). Rio de Janeiro, Cátedra, 1976

Bibliografia comentada de Carlos Drummond de Andrade (pesquisa). Rio de Janeiro, José Olympio / Fundação Casa de Rui Barbosa, 1980 (2ª edição, aumentada. Fundação Casa de Rui Barbosa, 2002)

Vozes do corpo (poesia). Rio de Janeiro, Fontana, 1981

Dezoito sextinas para mulheres de outrora (poesia). Recife, Edições Pirata, 1981

Chão da crítica (jornalismo literário). Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1984

Antiuniverso (poema). Rio de Janeiro, Sette Letras / Petrópolis. Editora Firmo, 1994

Carlos Drummond de Andrade. poesia (antologia comentada, em colaboração com Pedro Lyra). Rio de Janeiro, AGIR, 1994 (2ª edição. 1998) [Col. Nossos Clássicos, 118]

Sol nenhum (poesia). Rio de Janeiro, UAPÊ, 1998

Antologia poética (40 anos de poesia. 1959-1999). Petrópolis, Poiésis, 2000

Sentimento da morte & Poemas anteriores (poesia). Goiânia, A.S.A., 2003

Uma poesia dialógica. nove resenhas da obra de Pedro Lyra (crítica literária). Fortaleza, UFC, 2003

O poeta Coelho Vaz (conferência). Goiânia, Kelps, 2004

70 poemas escolhidos. Petrópolis, Catedral das Letras, 2005

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