O jornalista Bernardo de la Peña morreu na segunda-feira, 8, aos 48 anos de um câncer no cérebro.

O repórter estava internado num hospital do Rio de Janeiro.

Bernardo de la Peña ganhou dois prêmios Esso. Era repórter investigativo do primeiro time, segundo os jornalistas Gerson Camarotti e Fernando Molica. E um repórter de política dos mais atentos.

“O jornalismo perde muito com a morte do Bernardo, mesmo ele já estando afastado. Foi um privilégio ter sido seu parceiro, um presente de vida. Você se sentia especial do lado dele. Quando chegou a Brasília, muito rapidamente todas as fontes o conheciam e ele já era uma referência. Pouquíssimos repórteres conseguem ser um bom repórter investigativo e, ao mesmo tempo, um bom repórter de bastidor político. Ele era brilhante”, afirma Gerson Camarotti. Juntos, publicaram “Memorial do Escândalo”, livro a respeito do Mensalão e da CPI dos Correios.

O jornalista e escritor Fernando Molica escreveu no Facebook: “Costumo evitar os eufemismos que tentam, inutilmente, amenizar a ideia de morte – verbos como falecer e partir. Mas, no caso do querido amigo Bernardo de La Peña, é justo dizer que, hoje, ele descansou. De seus 48 anos, 19 foram marcados por sua luta contra a doença, um tumor no cérebro que começou benigno e que evoluiu para um câncer. Nesse período, Bernardo brigou muito e procurou aproveitar cada minuto de vida. Submetido a cirurgias, passou por um longo período de coma, mas, ao se recuperar, não deixou de trabalhar, namorar, casar, descasar. Mesmo em momentos de maior fragilidade, em que era obrigado a usar cadeira de rodas e andar com acompanhante, não deixou de chamar os amigos para almoçar ou para “tomar um chope” – e olha que ele não bebia. Ele, um cara sempre alegre e otimista, não tinha problema em demonstrar suas limitações, confiava que sairia daquela situação”.

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia disse ao jornal “O Globo”: Bernardo foi “um repórter nato, dos melhores na cobertura política, alguém que acompanhou de perto minha trajetória como político”.

“Tinha faro para notícia”, diz Ancelmo Gois

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, disse, nas redes sociais, que Bernardo era um repórter “aguçado, gentil, firme, curioso…. Bernardo era o que podemos chamar de grande jornalista. Para que vocês tenham uma ideia do quanto eu admirava esse cara, uma das inspirações para dar o nome do meu primeiro filho foi conhecer esse ser humano incrível”.

O diretor de redação de “O Globo”, Alan Gripp, disse que Bernardo era “um dos grandes repórteres de política de sua geração e um grande parceiro”. Era “bonachão, sedutor, curioso, extremamente sempre bem-informado, transitava entre as fontes do mundo político com uma facilidade inigualável”.

Ancelmo Gois, com que Bernardo trabalhou, corrobora os depoimentos dos colegas: “Ele era uma pessoa brilhante, marcava presença, muito ativo, dinâmico. Falava com presidente do Câmara e do Senado a qualquer hora. Aonde chegava, as pessoas prestavam atenção, muito presente. Foi um excelente parceiro que tive na coluna. Tinha faro para notícia”.

Bernardo trabalhou no “Estadão”, em “O Globo” e no “Jornal do Brasil”.