Morre o jornalista Armando Acioli, articulista de “O Popular”

Aos 82 anos, era um jornalista crítico e sempre posicionado. Denunciou a roubalheira dos governos do PT sem titubear

Iúri Rincón Godinho

Sentado em sua cadeira na redação de “O Popular”, Armando Acioli abaixava a cabeça, encostava a testa na máquina de escrever e a balançava de um lado por outro por 10, 20 minutos sem parar.

Era uma imagem diferente para uma redação de jornal. Todo mundo ali fumava, o barulho das teclas das máquinas de escrever misturadas à densa fumaça que grudava no teto. E Armando Acioli fumava mais do que todos seus colegas, duas, três carteira por dia. Acendia um no outro, 40, 60 cigarros a cada 24 horas.

O fumo matou Armando Acioli na quarta-feira, 22, aos 82 anos,  e não foi de câncer: ele simplesmente não conseguia respirar. Há duas semanas encontrei-o na emergência do Hospital Anis Rassi. Ele e seu companheiro de redação Jávier Godinho vivendo as agruras do massacre do fim da vida (como diz Philip Roth no romance “Homem Comum”).

Publiquei o único livro de Armando: “Memórias de Arquivos”, uma coletânea espessa de seus mais de 50 anos de jornalismo político. Ele entusiasmado como um foca, dando sua contribuição para arrancar do poder o PT e a roubalheira que fazia Armando se exaltar e ficar vermelho, a pressão subindo e ameaçando um quarto ataque cardíaco.

Armando foi daquela estirpe de jornalistas que lia de tudo e lia muito. Dali tirava uma ideia e a defendia com argumentos sólidos. Diferente do jornalismo que se faz hoje, onde parece que o texto basta em si, instantâneo, sem pesquisa e muitas vezes de escassa inteligência.

Iúri Rincón Godinho, jornalista e escritor, é publisher da Contato Comunicação.

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