Euler de França Belém
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Morre o crítico literário, pensador da cultura brasileira e professor da USP Alfredo Bosi. De Covid

O scholar paulista figura entre os principais intérpretes da obra do escritor Machado de Assis

Alfredo Bosi, um dos mais notáveis críticos literários do Brasil | Foto: Reprodução

O crítico literário e professor da Universidade de São Paulo (USP) Alfredo Bosi morreu na quarta-feira, 7, aos 84 anos, em decorrência de complicações derivadas da Covid-19. Ele era membro da Academia Brasileira de Letras.

Nascido em São Paulo, em 1936, Alfredo Bosi estudou no Brasil e na Itália (em Florença). Era formado em Letras pela USP, da qual se tornou professor.

Embora tenha se especializado em literatura italiana (estudou Leopardi e Pirandello), Alfredo Bosi se tornou um dos maiores estudiosos da literatura brasileira, por exemplo da obra de Machado de Assis. Ele é autor de “Pré-Modernismo”, de 1966, “História Concisa da Literatura Brasileira” (um clássico incontornável), de 1970, “O Ser e Tempo da Poesia”, de 1977, “Ceu, Inferno — Ensaios de Crítica Literária e Ideológica”, de 1988, “Dialética da Colonização”, de 1992, “Machado de Assis — O Enigma do Olhar”, de 1999, “Literatura e Resistência”, “Brás Cubas em Três Versões: Estudos Machadianos”, de 2006, “Ideologia e Contraideologia”, de 2010, e “Entre a Literatura e a História”, de 2013.

Alfredo Bosi dava imenso valor à estética, é claro, mas buscava compreender também o Brasil pela literatura. Ele percebia, de maneira límpida, como escritores do porte de Machado de Assis respondiam à sociedade de seu tempo, como a interpretavam muito bem. Mostrou que a literatura, quando bem-feita, ilumina a sociedade, a história.

Alfredo Bosi: um dos principais intérpretes de Machado de Assis | Foto: Reprodução

Tradicionalmente, Alfredo Bosi é apresentado como crítico literário e ensaísta, o que ele de fato era. Mas, com o passar do tempo, tende a ser considerado como um pensador da cultura brasileira. A obra dele incursiona, via análise literária, pela Filosofia. O mestre era um notável intérprete do Brasil e de seus principais escritores. Pode-se sugerir que ele pensava o Brasil — e o universo — por intermédio do estudo da literatura. Merece um lugar ao lado de Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Júnior, Darcy Ribeiro, Raymundo Faoro, Antonio Candido e Wilson Martins.

Experimente ler alguns livros, como “Memórias de Brás Cubas”, a partir do viés — ou vieses — de Alfredo Bosi. Você, leitor, e os livros nunca mais serão os mesmos.

Alfredo Bosi era viúvo da psicóloga Ecléa Bosi, uma das notáveis professoras da USP. Deixa dois filhos — Viviana Bosi e João Alfredo Bosi.

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