Euler de França Belém
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Morre o crítico literário e poeta Carlos Felipe Moisés, ex-professor da USP, aos 75 anos

Especialista em literatura brasileira e portuguesa, ele também deu aulas nos Estados Unidos e era respeitado em Portugal

Morreu Carlos Felipe Moisés, crítico literário (um dos mais importantes do país), poeta e professor da Universidade de São Paulo, em São Paulo. Ele tinha 75 anos.

O primeiro livro de poesia de Carlos Felipe Moisés, “A Poliflauta de Bartolo”, saiu em 1960. Ele era um garoto de 18 anos.

O crítico literário escreveu, de 1962 a 1994, nos jornais “Folha de S. Paulo”, “Jornal da Tarde”, “O Estado de S. Paulo” e nas revistas “IstoÉ” e “Visão”. Era um leitor atento e qualificado.

Formado em Letras pela USP, em 1965, dedicou-se, desde cedo, a escrever sobre literatura (brasileira, portuguesa, etc.), sempre com percuciência. Escreveu livros de ensaios, como “Literatura Para Quê?” e “Poesia e Realidade”.

Concluído o doutorado em literatura, em 1972, foi aprovado no concurso para professor de Literatura Portuguesa e Brasileira na USP. Deu aulas de literatura portuguesa e brasileira na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Amigos e ex-alunos afirmam que parecia saber tudo sobre escritores do Brasil e de Portugal (país onde é respeitado).

Carlos Felipe Moisés escreveu, na década de 1980, as obras “O Poema e as Máscaras” e “Poética da Rebeldia”. Ele é responsável por várias traduções, como “O Que É Literatura?”, do filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre. O crítico organizou, em parceria com Álvaro Alves de Faria, em 2000, a “Antologia Poética da Geração de 60”.

Como poeta, publicou também “A Tarde e Tempo”, de 1964, “Círculo Imperfeito”, de 1978, “Subsolo”, de 1989, e “Lição de Casa & Poemas Anteriores”. A sua poesia poderia ter sido acadêmica, artificiosa. Na verdade, era moderna e refinada.

O poeta Tarso de Melo escreveu no Facebook: “Carlos Felipe Moisés (1942-2017) foi embora. Foi encontrar novamente Margarida. Hoje cedo, mas eu soube agora. Quando o conheci, ele era um livro, depois outro, depois outros, até virar um amigo que parecia estar desde sempre por perto, uma espécie de mestre, Mestre, um monge dessa religião sem deus chamada poesia, que agora virou livros novamente, infinitos livros e textos e ideias e gestos, muitos gestos de afeto que nada vai apagar. Falamos há algumas semanas e ficou no ar a felicidade com a campanha do Corinthians, o próximo encontro na Urca, um livro novo na sua infinita gaveta. Ele me contou de seu ‘calo na aorta’, eu disse que não havia nada mais apropriado para um poeta, rimos, mas agora eu queria que aquilo fosse apenas uma metáfora. Ontem, no lançamento do livro de que participamos juntos, sua ausência era o assunto. Sabíamos que estava lutando, mas não havia tristeza porque sabíamos que Carlão era o mais forte de nós. E vai continuar assim, titular absoluto”.

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Álvaro Cardoso Gomes

Foi com enorme tristeza que soube da notícia. Fomos colegas na USP e colegas de aventuras literárias. Impossível não sobrevalorizar o refinamento, a inteligência do CFM, um poeta de grande sensibilidade, um crítico de suma competência. O mundo vai ficar muito vazio sem ele.