Euler de França Belém
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Morre Joel Rufino dos Santos, que usou a história para escrever ficção, diz Alberto da Costa e Silva

O escritor e historiador tinha 74 anos. Na ditadura, militou na Ação Libertadora Nacional (ALN)

O escritor, historiador e professor Joel Rufino dos Santos morreu na quinta-feira, 3, aos 74 anos. Depois de uma cirurgia, teve complicações cardíacas.

Na década de 1960, antes do golpe civil-militar, participou da elaboração da coleção História Nova do Brasil, ao lado do historiador e militar Nelson Werneck Sodré. Ele trabalhou no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb).

Com o golpe que derrubou João Goulart, Joel Rufino, então filiado ao Partido Comunista Brasileiro, saiu do Rio de Janeiro e foi para São Paulo, onde, com o codinome de Pedro Ivo dos Santos, trabalhou como professor de cursinho.

O “Estadão” relata que foi preso em 1972, quando militava na “Aliança” (na verdade, Ação) Libertadora Nacional (curiosamente, a ALN estava praticamente esfacelada neste período).

O historiador Alberto da Costa e Silva, um dos maiores conhecedores da história da África, disse ao “Estado”: “Joel foi fundamental em seus romances históricos, usando a história para escrever ficção”. O escritor avaliava que, com a literatura, ensinava mais história do que com os livros históricos propriamente ditos. “Seja como historiador ou literato, seu papel foi fundamental no desenvolvimento da consciência negra”, anota o crítico Antonio Gonçalves Filho, de “O Estado de S. Paulo”.

Joel Rufino escreveu 50 livros.

Lista de alguns de seus livros

+ “Zumbi” é a biografia do mais celebrado líder negro — do Quilombo de Palmares — no período da escravidão.

+ “A História do Negro no Teatro Brasileiro”.

+ “Crônica de Indomáveis Delírios”. É um romance que imagina Napoleão no Brasil. Fala também da revolta Malé.

+ “Gosto da África”

+ “Carolina Maria de Jesus — Uma Escritora Improvável”. É a biografia da escritora favelada Carolina de Jesus, autora do livro “Quarto de Despejo”.

+ “O Soldado Que Não Era”

+ “Quem Ama Literatura Não Estuda Literatura” — Ensaios Indisciplinados”.

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