Euler de França Belém
Euler de França Belém

Morre a fadista Argentina Santos. Aos 95 anos

A cantora de fado encantou as plateias da Europa. Ancona, na Itália, homenageou-a com a Academia do Fado

Argentina dos Santos: cantora de fado de Portugal

Depois de Amália Rodrigues, o fado era-é Argentina Santos (Maria Argentina Pinto dos Santos). Na casa A Parreirinha de Alfama (e noutros lugares), onde estive em 2010, era a estrela. Os turistas apinhavam-se para vê-lo (no dia que estive lá, ela não cantou, infelizmente). O fado, na sua tristeza congênita, é um lamento — é o blues de Portugal. Mas o fado é mais do que isto: porque não há tristeza que não esteja próxima da alegria. O fado canta a vida do ser humano — que é composta por momentos felizes e de agruras (estas, quiçá, chamam mais a atenção). Argentina Santos morreu na segunda-feira, 18, aos 95 anos. Mas felizmente, para os amantes da beleza do fado — o canto da alma dilacerada —, sua música permanece nos discos e, claro, na internet.

Argentina Santos tinha 95 anos e parecia imortal. Ela nasceu em 6 de fevereiro de 1924, em Lisboa.

O “Jornal de Notícias” informa que Argentina Santos “esteve à frente da casa de fados desde 1950 até princípios deste século”. A Parreirinha de Alfama se tornou “uma referência gastronômica e do fado tradicional, por onde passaram algumas das melhores vozes como Celeste Rodrigues, Lina Maria Alves, Lucília do Carmo, António Mourão, Maria da Fé, entre outros”, afirma, disse Paulo Valentim. Este é dono de A Parreirinha de Alfama.

“A carreira de Argentina Santos e a história da Parreirinha, que começou por ser uma taberna onde acontecia fado, confundem-se”, assinala o jornal. O Museu do Fado registrou, em 2010, “que, ao confinar grande parte do seu percurso à Parreirinha de Alfama, Argentina Santos ‘fez também da sua casa uma autêntica oficina de fados, cenário de afetos e palco da cumplicidade criativa de poetas, músicos e fadistas’”.

O Museu do Fado, ao mencionar a criadora de “Chico da Mouraria”, pontua: “O seu fado tem a força de um pregão e a contenção de uma prece. Neles se combinam autenticidade humana e artística em perfeita simbiose. Destemido, o fado de Argentina Santos não conhece subterfúgios ou cedências. Basta-lhe ser autêntico”.

Argentina Santos: a princesa ou duquesa do fado | Foto: Leonardo Negro/Global Imagens

Famosa em toda a Europa, cantou no Festival de Edimburgo, Londres, Paris e Madri e na Itália. Ancona, na Itália, a homenageou com a Academia do Fado. Ela reunia multidões.

Se Amália Rodrigues era a rainha do fado, Argentina Santos era a princesa.

A cantora, símbolo de Portugal, morava na Casa do Artista, em Lisboa. Ela cantou fados, como “A Minha Pronúncia” e “Chico da Mouraria”, de maneira impagável com sua forte e equilibrada.

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