Morre a artista plástica Marianne Peretti, criadora dos vitrais da Catedral de Brasília

“Era tudo de repente e tudo muito rápido, porque a cidade estava sendo inventada e tínhamos de nos adaptar a esse ritmo, de fazer o melhor em pouco tempo”

A criação da artista plástica franco-brasileira Marianne Peretti | Foto: Heitor Cunha/DP/D. A. Press

“Me emocionava vê-la durante meses debruçada a desenhar os vitrais. Eram centenas de folhas de papel vegetal que coladas representavam um gomo da catedral. Marianne Peretti é uma artista de excepcional talento, os vitrais maravilhosos que criou para a Catedral de Brasília são comparáveis pelo seu valor e esforço físico às obras da renascença. Sua preocupação invariável é inventar novas coisas, influir com seu trabalho no campo das artes plásticas.” — Oscar Niemeyer

Há uma história de Brasília ainda pouco contada: a daqueles criadores que, embora importantes para a beleza e identidade da cidade, acabaram soterrados pela fama de Lucio Costa e, sobretudo, de Oscar Niemeyer. Pouco se fala, por exemplo, do engenheiro Joaquim Cardozo, espécie de rei dos cálculos, que foi decisivo para as obras do arquiteto Niemeyer terem sustentação adequada e duradora. Há também Marianne Peretti, a artista plástica que criou os magníficos vitrais da Catedral da capital. Nascida na França, em 1927, ela morreu na segunda-feira, 25, aos 94 anos, em Recife, onde morava. Foi sepultada em Brasília no Campo dos Pioneiros na sexta-feira, 29.

Marianne Peretti: parceira de Oscar Niemeyer em Brasília | Foto: Reprodução

A respeito da construção da capital no Planalto Central, no interior do Estado de Goiás, Marie Anne Antoinette Hélène Peretti disse, certa feita: “Era tudo de repente e tudo muito rápido, porque a cidade estava sendo inventada e tínhamos de nos adaptar a esse ritmo, de fazer o melhor em pouco tempo”.

Salvador Dalí e Mariane Peretti | Foto: Reprodução

O primeiro vitral feito por Marianne Peretti está na capela do Palácio do Jaburu. Uma de suas obras, localizada no Senado, teve de ser restaurada. A artista também é criadora dos vitrais da Catedral Metropolitana e do Panteão e dos painéis dos salões do Congresso Nacional, do Superior Tribunal de Justiça e do Memorial JK.

Da esquerda para a direita Marianne Peretti, Athos Bulcão, Alfredo Ceschiatti, Oscar Niemeyer, José Sarney e Burle Marx | Foto: Marianne Peretti/Arquivo pessoal

Filha da modelo francesa Antoinette Louise Clotilde Ruffier e do historiador pernambucano João de Medeiros Peretti, Marianne Peretti estudou desenho e pintura em Paris. Ela veio com os pais para o Brasil, em 1956, quando tinha 29 anos. Apaixonou-se pelo país, de onde não saiu mais, radicando-se em Pernambuco. Oscar Niemeyer era um de seus principais admiradores. Os dois trabalharam juntos por décadas.

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