Militares não tomaram o poder de Bolsonaro mas seguram Mandetta no Ministério da Saúde
06 abril 2020 às 10h33

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O general Braga Netto não tomou o poder nem governa por intermédio de Bolsonaro. Ele e outros militares são pragmáticos e querem salvar os brasileiros e os Brasil
Até jornalistas sérios estão embarcando na canoa furada de que generais, como o competente, eficiente e sério Walter Braga Netto, estão comandando o governo de Jair Bolsonaro. Na verdade, o país está quase no piloto automático, comandado, isto sim, pelos brasileiros (e pelos ministros que realmente funcionam, o da Infraestrutura, a da Agricultura, o da Economia, o da Justiça e o da Saúde). O Brasil tem uma cúpula militar, na ativa e na reserva, de alta competência, com amplo conhecimento técnico e histórico. Os generais e coronéis sabem, por exemplo, que, quando finda uma ditadura, os civis que a apoiavam caem fora e deixam a bomba histórica, a responsabilidade pelo poder discricionário aos militares. Portanto, não querem saber de golpe, de ditadura, ou de governo títere.

Portanto, os generais, além de outros militares de menor patente, estão no governo, mas não tomaram o poder. Para combater Bolsonaro, para piorá-lo aos olhos do público, alguns “jornalistas” (uns poucos são respeitados) decidiram espalhar a fake news de que os generais tomaram o poder. Na verdade, os militares, altamente disciplinados, estão procurando, isto sim, dar um norte ao governo, não deixar que o errático presidente se perca ainda mais. Querem circunscrever o destrambelhamento de Bolsonaro às palavras, à retórica, mas não à prática. Eles são pragmáticos, como qualquer estadista deve ser.
Veja-se um exemplo do realismo dos militares. Bolsonaro queria demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, de cara. Mas os militares aconselharam que não, que o momento é de salvar vidas. A disciplina dos militares falou mais forte: não se mexe em time que, a duras penas, está ganhando. A bravata-ameaça de Bolsonaro, de que vai demitir ministros-estrelas — recado para Mandetta e, também, para Sergio Moro —, é só isto mesmo.
Porque o presidente está ouvindo os militares e, por isso, não demitiu ninguém. A hora é de conciliação e disciplina, de não mexer no que está funcionando. A influência dos militares é esta. Mas dizer que tomaram o poder é mais uma “loucura” — articulada ou até desarticulada — de quem, como Bolsonaro, pensa mais em política, em desidratar adversários, do que em lutar pela vida de todos. Os militares estão no jogo para defender vidas — e sabem como fazer isto. Por isso, defendem o isolamento horizontal.

