Mídia critica suposta pressão do general Villas Bôas e esquece pressão de promotores e juízes

08 abril 2018 às 00h00

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Não há a menor dúvida de que o comandante do Exército não defendeu qualquer golpe militar

Na década de 1960, antes do golpe de 1964, as esquerdas defendiam que os militares deveriam participar do processo político, inclusive como candidatos a cargos políticos. Ao apoiar a “rebelião” dos sargentos e dos marinheiros, contribuíram para uma crise da sociedade política com os militares de mais alta patente, como coronéis e generais. A cúpula das Forças Armadas alegava que o próprio presidente da República, João Goulart, o Jango, era responsável pela indisciplina das tropas.
A “indisciplina das tropas”, se não foi motivo basilar, pode ser considerado um dos principais pretextos para o golpe civil-militar de 1964.
Cinquenta e quatro anos depois, os bem-pensantes da esquerda, dominantes na imprensa, comportam-se de modo bem diferente. Não há a menor dúvida de que o comandante do Exército, o general Eduardo Villas Bôas, homem decente e de princípios, não é nenhum golpista. Entretanto, bastou sugerir que o Exército não aceitará a impunidade — imediatamente interpretado como uma “ameaça” — e começou a ser vergastado pelas palavras de parte da mídia. Afinal, dizer que não aceita impunidade é o mesmo que sugerir que se vai derrubar o governo ou se pretende invadir a sede do Supremo Tribunal Federal? Não é. São coisas bem diferentes.
A mesma mídia não questiona a pressão de promotores e juízes, na questão de prisão de decisão judicial em segunda instância, sobre o Supremo Tribunal Federal.
Os brasileiros precisam acostumar-se com o jogo de pressão do caldeirão da diversidade da democracia. Os atores são vários e cada um tem suas razões. Outra coisa que precisamos, inclusive nós da imprensa, é não tratar os militares da democracia como se fossem os militares do golpe de 1964 e dos governos militares. São bem diferentes.