Euler de França Belém
Euler de França Belém

Menina que foi queimada por napalm no Vietnã conta sua história em livro

A foto de Kim Phuc Phan Thi, correndo queimada e nua, chocou o mundo e pode ter contribuído para o fim da guerra

Kim Phuc Phan Thi exibe as costas que foram queimadas por um bombardeio dos Estados Unidos no Vietnã, em 1972

Uma imagem vale mais do que mil palavras? O filósofo do humor Millôr Fernandes contestava sua veracidade com o desafio supremo: diga isto sem palavras. Mas há fotografias que são mesmo decisivas, independentemente de palavras.

Em 1972, tropas americanas bombardearam uma aldeia do sul do Vietnã. Em nome do combate ao comunismo, os Estados Unidos massacraram guerrilheiros, crianças, mulheres e velhos — sem distinção. Os ataques não eram nada cirúrgicos. Entre as vítimas do bombardeio de napalm, há 46 anos, estava a menina Kim Phuc Phan Thi, de 9 anos.

Atingida pelo napalm, Kim Phuc Phan Thi, mesmo com queimaduras graves, saiu correndo, inteiramente nua, em busca de socorro e sobrevivência.

A garota sobreviveu, depois de várias cirurgias, mas ainda luta contra sequelas. Ela mora no Canadá.

Sua fotografia, que correu o mundo, abalou a opinião pública nos Estados Unidos — o que contribuiu, em larga escala, para o fim da guerra do Vietnã. A foto foi feita por Nick Ut, da Associated Press (AP). Depois de fazê-la, decidiu cuidar da criança. Os dois se tornaram amigos.

O fotógrafo Nick Ut, que ganhou o Pulitzer, visita a menina Kim Phuc, em 1973

Kim Phuc Phan Thji decidiu contar sua história no livro “A Menina da Foto — Minhas Memórias: Do Horror da Guerra ao Caminho da Paz” (Mundo Cristão, 338 páginas, tradução de Cecília Eller Nascimento). Ela, que esteve no Brasil para o lançamento da obra, diz que não sente ódio e encontrou a paz ao se tornar cristã.

Tratamento a laser e dores terríveis

A dermatologista Jill Waibel e Kim Phuc: tratamento reduziu “dor de modo considerável”

No prólogo do livro, de fevereiro de 2016, Kim Phuc escreve:

“Até mesmo os melhores analgésicos só conseguem disfarçar 30% da dor. Eu sinto os outros 70%. É como seu eu fosse colocada em uma grelha de churrasco e assasse cada centímetro da minha vida. A dura verdade acerca dos tratamentos a laser é que, para estimular a cura das cicatrizes deixadas pelas queimaduras, a dra. Jill [Waibel, dermatologista] precisa queimar minha pele toda de novo. Durante cada um dos longos procedimentos, as cicatrizes são submetidas a milhares de perfurações microscópicas, na esperança de que isso promova a circulação sanguínea nessas áreas feridas, algo que não ocorre desde minha infância.” (Trecho das páginas 16 e 17.)

Perdão para o piloto

Entre as páginas 312 e 313, Kim Phuc Phan Thji diz que perdoa o piloto que jogou napalm e a feriu gravemente:

Ainda não sei o nome do piloto responsável pelo lançamento daquelas bombas de napalm em 1972, mas não preciso dessa informação para revelar isto: eu adoraria conhecê-lo um dia. Adoraria abrir um largo sorriso e lhe dar um abraço apertado. Gostaria muito de olhar em seus olhos e dizer: ‘Eu o perdoo. Tudo ficou no passado. Vamos seguinte em frente, em paz‘. A guerra é difícil para todos os envolvidos, por isso, sem dúvida, a guerra em meu país feriu você também. Oro para que você tenha encontrado cura ao longo dos anos que se passaram. E que meu perdão sempre o acompanhe.

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