Euler de França Belém
Euler de França Belém

Mein Kampf, livro de Hitler, deve ser publicado. Censurá-lo é tentar esconder a base do nazismo

lutaoComo esconder um elefante num quarto pequeno? Impossível. Impedir a publicação de “Mein Kampf” (“Minha Luta”), livro de Adolf Hitler, é o mesmo que tentar esconder um elefante. Não dá pé. Com a queda dos direitos autorais — o líder nazista morreu há 70 anos —, a Alemanha vai republicá-lo, o que está provocando debates tão exaustivos quanto infrutíferos.

Para alguns alemães, que não querem revolver o passado pantanoso de seu país, é constrangedor e doloroso o lançamento da obra. Mas não é deixando de publicá-la que se vai eliminar o antissemitismo ou a possibilidade de ressurgimento de “seitas” nazistas. “Mein Kampf” é um documento histórico, dos mais valiosos, para se verificar como ideias redutoras e limitadas podem convencer um povo culto e civilizado, como o alemão, a embarcar numa política suicida de conquista da Europa.

Os que querem impedir o lançamento do livro desejam, no fundo, negar que a Alemanha “comprou” e “vendeu” com fervor as ideias esboçadas por Hitler entre 1924 e 1925. O historiador Robert Gellately é autor de um livro fabuloso, “Apoiando Hitler — Consentimento e Coerção na Alemanha Nazista” (Record, 518 páginas, tradução de Vitor Paolozzi), no qual mostra que os alemães sabiam dos crimes cometidos pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial e que Hitler e a Gestapo não esconderam que haviam criado campos de concentração e extermínio.

Detalhe: o pesquisador sugere que Hitler fez o que fez com o apoio da população. Coagiu-a? No geral, não; obteve apoio por intermédio do consenso.

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