Há notícia de que nas penitenciárias brasileiras há assassinos e estupradores de quase 90 anos? Justiça deveria “tomar” bens do político

Paulo Maluf: preso pela Polícia Federal

Paulo Maluf, o rei do malufício, é indefensável. Corrupto até a medula, apesar de rico — brasileiros têm o hábito de sugerir que quem é rico, se se tornar político, tende a não gatunar —, não merece confiança alguma. Quem sugerir que vale alguma coisa por certo será acusado de malufar.

Não malufei e não me tornei advogado de defesa de Paulo Maluf. Mas prendê-lo aos 86 anos, depois de tantos anos de roubalheira, não é aplicação de justiça — e sim de vendeta. É o Estado, por meio do Judiciário, vingando-se de um homem da elite, um “inclusivo” que, finalmente, decidiram “excluir”.

Por mais que um laudo médico garanta que Paulo Maluf pode ser preso, sem maiores consequências para sua saúde, é de se duvidar de uma conclusão desta natureza. Sem contar a falta de humanidade. Cabe até perguntar: há nas prisões brasileiras algum assassino ou estuprador com 86 anos? Não há, decerto. Um corrupto é pior do que um assassino ou um estuprador? Não é, claro.

Há quem perceba a prisão de Paulo Maluf como pedagógica. Não há como discordar de que há certa lógica no raciocínio. Porém, e se o ato do ministro do Supremo Tribunal Federal for produto mais de uma ação populista do que educativa? Prender um político que foi governador de São Paulo, prefeito de São Paulo, candidato a presidente da República — com o apoio de um homem decentíssimo, Golbery do Couto e Silva, o mais civil dos generais — e é deputado federal garantirá um lugar na história para Edson Fachin, um dos mais qualificados ministros do STF, ao lado de Celso Mello e Gilmar Mendes (que, sozinho e intimorato, está lutando contra o populismo jurídico que está tornando o Brasil um sertão de 200 milhões de justiceiros e cangaceiros).

Cadeia é lugar de assassinos e estupradores, que devem ser excluídos da sociedade por um certo período — de preferência, que seja longo. Talvez não seja o lugar adequado para corruptos, embora eu não seja necessariamente contrário à prisão deles. A penalidade mais eficiente para corruptos é tomar-lhes os bens, é fazê-los devolver dinheiro ao Erário. Tornar um corrupto mais pobre, com a devolução de dinheiro ao Estado, é uma pena que, embora não pareça, é duríssima. Paulo Maluf, mesmo numa penitenciária, como a Papuda, devolveu quanto ao setor público? Se nada devolveu, ou se devolveu quase nada, a pena de prisão não tem nenhuma importância. A Justiça está jogando pra plateia e tentando transformar o povo em patuleia.

Portanto, solte Paulo Maluf, ministro Edson Fachin, e faça com que a Justiça tome parte de seus bens. A pena atingirá tanto o deputado federal quanto aqueles que, como herdeiros, vão continuar usufruindo o patrimônio anabolizado por práticas delitivas.

O populismo caboclo cobra sangue — dos ricos, como nas cruentas Revolução Russa de 1917 e Revolução Chinesa de 1949 —, quando devemos cobrar justiça. Paulo Maluf na cadeia aos 86 anos, e doente — o padecer de um homem velho começa pela própria velhice, que é um massacre, sugere Philip Roth no romance “Homem Comum” —, diz respeito mais ao sentimento justiceiro, e nada mais.