Lunáticos à parte, o que está por trás da guerra EUA x China pelo 5G é o domínio do mundo

Goiás sofre os efeitos do conflito entre as potências, não apenas adiando a tecnologia como fechando mercados para commodities

Nilson Gomes

Esqueçam Olavo de Carvalho, rachadinha, milícia, terraplanismo, cloroquina, filhos, Queiroz, ministros sinistros e demais acusações críveis ou fictícias contra Bolsonaro. O maior erro de seu governo não é aventado pelos adversários no Parlamento ou na mídia. Sua grande falha é estar adiando, desde 2019, a chegada da quinta geração da Internet móvel, o famoso 5G. Tudo por causa da maldita política.

A bendita política empossou Marcos Pontes no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, pasta sem políticas públicas de ciências, tecnologia e muito menos de inovações. Qual sua grande obra até agora? Jogar o 5G para a próxima eleição presidencial. O equívoco demonstra o papel secundário do Brasil no filme de Charles Chaplin: o que está em jogo é quem vai bater balãozinho com o globo, os americanos ou os chineses. Eles de Matriz e nós num filme preto e branco mudo. Tudo por causa da maldita política.

A bendita política faz, desde 2019, Europa, Ásia e América do Norte usufruírem do 5G, com sua velocidade 20 vezes superior ao 4G e Inteligência Artificial digna de Prêmio Nobel. Marcos Pontes alega proteger a antena parabólica (veja que avanço!) do telespectador da guerra entre Estados Unidos e China. Tudo por causa da maldita política.

A bendita política pode ainda desmentir o ministro, mas por enquanto vale seu raciocínio do fim de 2019 e início de janeiro deste ano:

“Tenho que ter pelo menos uma estratégia de mitigação. Imagino que no fim de 2021 e começo de 2022 comece a ter implementação de um piloto”. Ou seja, o Brasil se consolidando na vanguarda do atraso por causa da maldita política.

Em nome da bendita política, alguém deveria rebater o astronauta tupiniquim, pois está no mundo da Lua. Exatamente por titubeios infantis como o cometido por Jair Bolsonaro e Marcos Pontes, o Brasil permanece distante de mitigar efeitos de briga tão grande. Não se trata de parabólica, paranoica, 5G, ponto G: é a geopolítica, estúpidos, a maldita geopolítica.

A bendita geopolítica pós-Segunda Guerra Mundial opõe América e Ásia. Vietnã, Laos e Camboja com armas. Japão e, agora, China no mercado. No meio do caminho, a Europa, alinhada quase inteira a Tio Sam. É mais grave que a guerra fria, pois os contendores dispõem de arsenal bélico menos letal somente que o vil metal e a vil e maldita política.

A bendita política da boa vizinhança, termo charmoso para compra de apoio, fez a China financiar a tecnologia em todos os países da América do Sul que quiseram seus inventos. Ofereceu o mesmo ao Brasil, o que provocou imediata e dura reação dos EUA, também ofertando financiamento às empresas nacionais. A injeção financeira bilionária em dólares e euros cairia do céu se junto não viessem os mísseis da maldita política.

A bendita política tende a reverter desastres já em cartaz no Brasil inteiro, Goiás incluído. Os Estados Unidos ameaçam boicote econômico, com saída de empresas do país e a rejeição de novos investidores. A China foi ainda mais rápida, nem ameaçou, simplesmente cortou a importação de carnes, uma das commodities mais importantes na Balança Comercial goiana. É a política, a maldita e a bendita política oferecendo progresso ao atraso.

Nilson Gomes, jornalista, é colaborador do Jornal Opção.

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