Euler de França Belém
Euler de França Belém

Livro resgata rivalidade produtiva entre grandes pintores modernos, como Lucian Freud e Francis Bacon

Ganhador do Pulitzer rastreia os contatos entre Manet e Degas, Matisse e Picasso, Pollock e Willem de Kooning, e Lucian Freud e Francis Bacon

O que impulsiona um criador artístico é seu talento, além da disciplina, mas não se deve descartar a rivalidade como fator de superação e avanço. O livro “A Arte da Rivalidade — Quatro Amizades Que Mudaram a Arte Moderna” (Zahar, 328 páginas, tradução de Célia Euvaldo), de Sebastian Smee, mostra como Édouard Manet e Edgar Degas criaram pinturas decisivas devido, em parte, aos seus contatos e, até, rivalidade.

Henri Matisse e Pablo Picasso disputaram a liderança da vanguarda e se tornaram figuras consagradas tanto devido ao intercâmbio cultural quanto à rivalidade. Pode-se dizer que um superou o outro? Na verdade, aprenderam com a pintura do outro e avançaram por caminhos diferentes. A arte não é uma corrida de Fórmula 1. Quando dois artistas disputam, um tentando ser melhor do que o outro, não significa, necessariamente, que um sairá vitorioso. No caso, os dois venceram e o público ganhou obras eternas para admirar e, se quiser, discutir.

Sebastian Smee exibe a interação-divergência entre a arte de Jackson Pollock (sobre o qual John Updike escreveu um belo romance, “Busca o Meu Rosto”, com tradução esmerada de Paulo Henriques Britto) e a de Willem de Kooning.

Francis Bacon e Lucian Freud foram amigos e se influenciaram. Qual é melhor? Há críticos que preferem o primeiro e há críticos que endossam a pintura do segundo. Mas os dois, rivalizando-se ou não, são grandes pintores e, como tais, permanecerão na história da arte.

Ao mostrar a amizade e a rivalidade artísticas dos pintores, Sebastian Smee praticamente reconta a história da arte, conectando-a aos fatos dos séculos 19 e 20. O livro, mais do que apenas sobre os pintores e suas rivalidades, contém um grande apanhado sobre a arte moderna.

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