Euler de França Belém
Euler de França Belém

Livro relata a história de uma luta vitoriosa contra o câncer de mama

Minha irmã se matou. A pedagoga Maria Eunice Rodrigues de Assis tratou-se e conta sua história num livro

untitled-2Uma irmã, Eliana, de 49 anos, descobriu que tinha câncer de mama, buscou ajuda médica e descobriu que o tratamento seria, possivelmente, menos invasivo do que de hábito. O termo a reter é possivelmente, pois, quanto à doença, nunca se sabe a dimensão exata ao longo do tempo. Ela demonstrou interesse em seguir o tratamento recomendado por uma oncologista e, morando em Atlanta, nos Estados Unidos, teria uma assistência médica de primeira linha. No entanto, pouco antes de completar 50 anos, ela se matou com um tiro na cabeça. Por quê? A família não tem notícia precisa nem imprecisa do que estava pensando, porque não deixou nenhuma anotação, mas o câncer, sua notícia, deve tê-la afetado profundamente, sobretudo depois de presenciar o pai, Raul de França Belém, definhando devido a um câncer no pâncreas que acabou se espraiando. Ela esteve em Goiânia nos dias finais do nosso pai, quando ele estava internado no Hospital Renaissance, na Rua 9, no Setor Marista.

Minha irmã era uma jovem charmosa, bonita e, como dizem, de “bem com vida”. Era casada com o hondurenho Oscar, que a amava, e vivia nos Estados Unidos havia quase 10 anos. Havia constituído um patrimônio razoável e mantinha uma boa poupança. Apreciava a vida, ria muito e era vaidosa. A possibilidade de mutilação de um seio, ou talvez o possível sofrimento em decorrência do tratamento — fico a pensar que o sofrimento do pai (que, de fato, sofreu durante mais de um ano) deve tê-la influenciado —, pode tê-la afetado e é possível que tenha se deprimido. Morrer, talvez tenha concluído, era melhor do que sofrer.

Homens talvez não entendam direito o significado dos seios para uma mulher. São importantíssimos. É o que ouço sempre. Por isso as mulheres investem tanto no seu embelezamento (o que parece feio para uns, como algumas próteses de silicone, para elas é lindo). É como se fossem, não os olhos da alma, e sim os olhos do corpo. A porta de entrada da vida, alguma coisa assim.

A história do suicídio de minha irmã volta à minha memória devido ao lançamento do livro “Casa Arrumada” (Paulinas Editora, 112 páginas), da pedagoga Maria Eunice Rodrigues de Assis, e ao Outubro Rosa (trata-se do mês de conscientização do câncer de mama).

O livro “Casa Arrumada: Apesar do Furacão e Através Dele — Uma História Sobre Como Encarar o Câncer Para Curar a Alma”, de Maria Eunice, relata sua batalha contra a doença, tendo a fé como amparo.

A doença é vista por Maria Eunice como um furacão (e é mesmo: a doença do meu pai mobilizou toda a família, transformando a vida de seus integrantes, criando uma dor coletiva, e ao mesmo tempo uma forte solidariedade). Não li o livro da autora. Recolho trecho do material de divulgação enviado pela assessoria de imprensa da editora. “Imagine ter sua casa ‘arrumada’ pelas ‘mãos cuidadosas’ de um furacão”, sublinha Maria Eunice. Ela frisa que, ao saber que tinha câncer de mama, sentiu medo, raiva, frustração. Mas não só. Se a minha irmã se matou, optando por evitar seu sofrimento, o físico e o psíquico, a pedagoga decidiu sobreviver e refletir a respeito de seu estilo de vida. Começou por redefinir suas prioridades.
Maria Eunice sugere que, assim como “gerou” o tumor, seu corpo poderia produzir a cura. Ela sobreviveu e nos conta a história de sua luta vencedora.

O livro pode ser lido acompanhado do excelente “O Imperador de Todos os Males — Uma Biografia do Câncer” (Companhia das Letras, 640 páginas, tradução de Berilo Vargas), de Siddhartha Mukherje (que estudou em Stanford, Oxford e Harvard e trabalha na Universidade Columbia). Como minha avó materna, Margarida Fagundes, morreu devido a um câncer (de útero), e dois irmãos de minha mãe, Josefa (falecida) e Nelito (vivo, um bravo, de uma resistência ímpar), tiveram câncer, além de meu pai e duas irmãs (uma com pouco mais de 40 anos), o assunto me mobiliza e diria, até, que me atormenta.

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