Euler de França Belém
Euler de França Belém

Livro examina literatura do escritor cult Ricardo Guilherme Dicke

Apontado às vezes como um Guimarães Rosa “menor”, o autor mato-grossense tem uma obra consistente

O escritor mato-grossense Ricardo Guilherme Dicke (1936-2008), às vezes apontado como um Guimarães Rosa menor, é um escritor que merece ser lido com atenção, dada, lógico, a qualidade de sua prosa. Madalena Machado escreveu um livro que pode ajudar a compreender sua obra refinada: “Tríade Poética na Obra de Ricardo Dicke” (Appris, 270 páginas).

A Carlini & Caniato Editorial é autora de um feito: repôs Ricardo Dicke nas livrarias. A editora lançou “A Proximidade do Mar & Ilha”, “Os Semelhantes”, “O Velho Moço e Outros Contos”, “Cerimônias do Sertão” e “Madona dos Paramos”.

Houve um tempo em que Ricardo Dicke era mais comentado do que lido. Tornou-se cult e seus livros eram disputados a tapa nos sebos do país.

Ricardo Guilherme Dicke: escritor matogrossense

Agora, com a reposição de suas obras, o leitor poderá avaliá-las de maneira cuidadosa. Não, por certo, para concluir que é “menor” do que Guimarães Rosa — poucos, como Machado de Assis, Graciliano Ramos e Clarice Lispector, são pares do escritor mineiro —, e sim para aceitá-lo como um autor de qualidade. Afinal, uma grande literatura não se faz apenas com gênios, como o autor de “Grande Sertão: Veredas” e “Sagarana”, e sim (também) com autores de qualidade média, ou de alta qualidade que não são canônicos. Estudos como o de Madalena Machado certamente são úteis para firmá-lo como um autor que merece mais atenção dos leitores.

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