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Livro conta como Henrique Pizzolato fugiu para a Argentina, daí para a Espanha, até chegar à Itália, onde foi preso

Há jornalistas de variados matizes. Há os que se consagram como editores e formuladores de ideias e artigos nas redações. Há os que se tornam gestores e são úteis ao desenvolvimento do trabalho dos colegas. E, finalmente, há aqueles que consagram todo o seu tempo e sua vida à reportagem. É o caso de Fernanda Odilla, repórter da “Folha de S. Paulo” em Brasília. O mensalão petista (o mensalão tucano não parece aguçar a ferocidade do reportariado patropi) parece um caso esgotado, para a maioria dos jornalistas, com os jornais e revistas requentando notícias e, aqui e ali, adicionando algum molho para torná-las up-to-date.
Fernanda Odilla, com seu faro apurado, percebeu que, no caso de Henrique Pizzolato, ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, havia mais a contar. Pediu férias do jornal, mas não da profissão, e correu atrás da história da fuga — o cinema patropi e o italiano certamente vai contá-la, pois é tão extraordinária quanto as histórias da máfia do país de Roberto Saviano — do homem que contribuiu para azeitar a operação do mensalão.

Espécie de Truman Capote de saia, Fernanda Odilla correu estradas no Brasil e noutros países, como Argentina e Itália, fez uma série de entrevistas e contou, em detalhes, a história da fuga no livro “Pizzolato — Não Existe Plano Infalível” (Leya Brasil, 320 páginas). É uma reportagem de fôlego e, sem moralismo, uma história do banditismo “esperto” nas entranhas do poder no Brasil.