Euler de França Belém
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Livro de Lucas Figueiredo revela pacto de militares e civis para ocultar arquivos do regime repressivo

“Lugar Nenhum: Militares e Civis na Ocultação dos Documentos da Ditadura” sugere que os documentos militares estão por aí, em arquivos oficiais ou privados

LIVRO LUGAR NENHUM: MILITARES E CIVIS NA OCULTAÇAO DOS DOCUMENTOS DA DITADURA

Lucas Figueiredo pesquisa como historiador — dos mais rigorosos — e escreve como os melhores jornalistas e escritores. Nos últimos anos, tem publicado livros que contribuem com os estudos históricos e, em alguns casos, com o debate atual.

“Morcegos Negros” mostra o poder de PC Farias no governo de Fernando Collor. O livro, atualizado recentemente, insiste em não ficar datado. “Dialoga”, por exemplo, com o livro “Tudo Que vi e Vivi”, de Rosane Malta, ex-mulher de Fernando Collor. A história de um operador suíço aparece, com ligeiras alterações, nas duas obras.

“Ministério do Silêncio” rastreia o serviço secreto patropi do governo de Washington Luís, nos últimos anos da década de 1920, ao governo de Lula da Silva, até 2005.

“Boa Ventura! — A Corrida do Ouro no Brasil (1697-1810)” revela a história do grande saque do minério no país e conta para onde foi levado o ouro. Um trabalho de fôlego escrito com a máxima clareza possível.

“O Olho por Olho — Os Livros Secretos da Ditadura” comprova que os militares responderam à obra “Brasil — Nunca Mais”, organizado por setores ligados à Igreja Católica, com a obra “Orvil” (livro ao contrário). É uma réplica militar detalhada às acusações dos adversários políticos e políticos.

“O Operador” é um retrato preciso do esquema de financiamento de campanhas políticas no Brasil. O operador, no caso, é o publicitário Marcos Valério, que caiu sob o mensalão e está preso. Ele começou operando para o PSDB mineiro e, depois, caiu nas graças do PT de José Dirceu e Delúbio Soares. O livro é detestado tanto por tucanos quanto por petistas — o que prova sua qualidade e seriedade na exposição dos bastidores da política, do que alguns chamam de “indizível”.

Lucas Figueiredo volta às livrarias com outro livro que promete (ainda não o li; chegou às livrarias de São Paulo e Rio de Janeiro na terça-feira, 29): “Lugar Nenhum: Militares e Civis na Ocultação dos Documentos da Ditadura” (Companhia das Letras, 408 páginas). A obra pertence à coleção Arquivos da Repressão no Brasil.

O livro de Lucas Figueiredo, segundo release da editora, “trata dos acordos secretos firmados entre militares e governos civis para impedir que venham à tona arquivos do período de repressão, sob pretexto de que os documentos foram destruídos em faxina de rotina”. Você leu bem: acordo entre civis e militares.

No release, a editora pergunta: “Por que os militares insistem em ocultar seus arquivos mesmo passados trinta anos do fim do regime ditatorial? Por que, de Sarney a Dilma, nenhum presidente civil do pós-ditadura ordenou a abertura dos arquivos secretos? O que esse impasse diz sobre o poder das Forças Armadas e a democracia no Brasil de hoje? Eis algumas perguntas que este livro procura responder. Farto em informações inéditas e escrito com agilidade e precisão, ‘Lugar Nenhum’ revolve feridas abertas e traz à luz uma página sombria da história brasileira”.

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