Iúri Rincon Godinho é jornalista. É pouco para defini-lo. Iúri Rincon Godinho é um pesquisador. Ainda é pouco. Talvez seja mais adequado assim: Iúri Rincon Godinho é jornalista, pesquisador, historiador (não acadêmico) e escritor. Um faz-tudo, e dos mais refinados.

Lucio Costa e Juscelino Kubitschek: inspirados por Goiânia? | Foto: Reprodução

Iúri Rincon Godinho adora documentos. Quanto mais velhos, melhor. Não posso manusear um jornal velho e já começo a espirrar. O pesquisador, pelo contrário, quando pega um documento, sobretudo se amarelo e empoeirado, começa a sorrir como se estivesse conversando com Deus ou com a deusa Ava Gardner. Nunca espirra. O historiador Jales Guedes costuma brincar: “Os documentos do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás não podem ver o Iúri e já começam a cumprimentá-lo”. Assim como o polímata Nilson Jaime, outro pesquisador de cérebro e mãos cheios, não duvido não.

Há algum tempo, Iúri Rincon Godinho lançou um excelente livro sobre Goiânia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O livro é uma obra de referência, sobretudo por ser o único do gênero. Li e revisei. Ganhou um lugar de destaque nas minhas estantes com mais de 500 livros sobre a guerra travada entre o nazismo de Adolf Hitler e os Aliados de Churchill, Franklin Delano Roosevelt, Charles de Gaulle, Ióssif Stálin e, sim, Getúlio Vargas. Não devidamente nomeados, 111 goianos participaram da batalha na Itália, entre eles Aldemar Ferrugem (morreu na Europa) e Benvindo Belém de Lima (que tem nome de rua em Belo Horizonte e nenhuma homenagem em Goiás). Li e, salvo engano, revisei.

Attílio Corrêa Lima: arquiteto e urbanista | Foto: Reprodução.

Incansável, Iúri Rincon Godinho publicou um livro sobre a revolução musical de Fernando Perillo, João Caetano, José Eduardo de Morais e Marcelo Barra. Além de mencionar os compositores Otavinho Daher e Nasr Chaul — sem eles, ases da sensibilidade refinada e racionalista, a música goiana seria muito mais pobre. É uma obra excelente, e, como a anterior, única no panorama cultural de Goiás. Li e revisei com prazer.

Agora, o mais irrequieto e versátil dos pesquisadores goianos volta à baila com o livro “Como Goiânia Construiu Brasília — Volume 1: 1951-1955”. A obra será lançada na sexta-feira, 30 de junho de 2023, às 20 horas, na sede da Fecomércio, na Avenida 136, no Setor Marista, em Goiânia.

Sem Goiânia, Brasília existiria? Possivelmente, não. A construção da capital goiana, arrancada quase do nada, certamente incentivou Juscelino Kubitschek a transferir a capital do Rio de Janeiro para o Cerrado, na década de 1950. Observe-se que as ruas planejadas da capital dos goianos, desenhadas por Attilio Corrêa Lima, foram observadas pelos criadores de Brasília.

Então, como sugere o pesquisador, Brasília é uma invenção de Goiânia, da energia de JK, um mineiro — quase-goiano; o mineiro é um goiano tímido e reservado —(chegou a ser senador por Goiás, quando foi cassado pela ditadura civil-militar), das penas e das pranchetas dos arquitetos Lucio Costa e Oscar Niemeyer (e não devemos esquecer do engenheiro estrutural Joaquim Cardozo, que, ainda por cima, era poeta) e das mãos calosas de milhares de candangos (muitos deles nordestinos e goianos).

O que a Goiânia de Pedro Ludovico ensinou a JK e seus arquitetos foi a lição de que era possível construir uma grande cidade, e em pouco tempo, durante um mandato.

Ah, não fiz a revisão, desta vez, por falta de tempo. Ganhei até um livro importado para fazer a revisão.