Euler de França Belém
Euler de França Belém

Livro conta a história da primeira mulher que presidiu uma Assembleia Legislativa no Brasil

A deputada Antonieta de Barros — negra — criou o Dia do Professor, lutou contra a exclusão social e batalhou pelo voto feminino

Tu, leitor, sabe quem criou o Dia do Professor? Se não, fique sabendo: foi a professora, jornalista, escritora e deputada estadual Antonieta de Barros (1901-1952). Em 1948, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, conseguiu a aprovação da lei que consagra 15 de outubro como o Dia do Professor. Em seguida, o país adotou a data.

Antonieta de Barros era negra, filha da ex-escrava Catarina, que, lavando roupas, bancou os estudos das filhas (Antonieta e Leonor).

Enfrentando preconceitos num Estado de “brancos”, muitos deles de origem europeia, Antonieta de Barros jamais se dobrou. Segundo a biografia “Antonieta de Barros — Professora, Escritora, Jornalista, Primeira Deputada Catarinense e Negra do Brasil” (Cais, 310 páginas), de Jeruse Romão, se tratava de uma mulher de fibra. Ela foi “a primeira parlamentar mulher e negra do seu Estado [Santa Catarina] e do país”, diz “O Globo”.

A documentarista Flávia Person, integrante da Associação de Mulheres Negras Antonieta de Barros, afirma que a política e professora é “uma das mulheres mais importantes da história de Santa Catarina, do país e que fez história na América Latina”.

Antonieta de Barros: professora, jornalista, escritora e deputada | Foto: Divulgação

Mostrando capacidade de gerir e agregar, Antonieta de Barros foi presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Foi a primeira do país. “Está entre as três primeiras mulheres eleitas do Brasil, entre as quais é a única negra. Ainda em 1934, a médica Carlota Pereira de Queirós foi eleita deputada federal; sete anos antes, elegeu-se prefeita de Lages, no Rio Grande do Norte, a fazendeira Alzira Soriano”, informa “O Globo”.

A educadora criou, em sua própria casa, o Curso Primário Antonieta de Barros. Ela combateu, com tenacidade, a exclusão social dos mais pobres e batalhou pelo voto feminino.

A mãe de Antonieta de Barros, Catarina, trabalhou na casa de Vidal Ramos, pai de Nereu Ramos (mais tarde, vice-presidente e, por pouco tempo, presidente da República). Apoiada pela família Ramos, a professora conquistou mais um mandato de deputada estadual, em 1948. Filha de Jeruse Romão, Azânia Mahin Romão Nogueira postula que o livro “serve como denúncia da produção de silêncios acerca da trajetória de Antonieta”.

Antonieta de Barros morreu aos 50 anos, em 1952, devido a complicações derivadas de diabetes.

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