Euler de França Belém
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Livraria Timbre, do Rio de Janeiro, vai fechar as portas

A proprietária, Cristina “Kiki” Machado, diz que seu “coração está despedaçado”

Os livros estão vivos, reverberando, mas as livrarias estão morrendo. Há, claro, a crise, derivada, em parte, da pandemia. Quem não em um comércio virtual ativo não tem condições de competir no mercado e, sem conseguir fechar as contas no fim do mês, acaba tendo de fechar as portas. Há também a Amazon, que claramente faz dumping. É fato, mas quase inimaginável que um livro de culinária de Bela Gil custe 50 reais numa livraria física e 22 reais na empresa de Jeff Bezos. Não dá para competir.

A Livraria Timbre, uma pós-balzaca de 41 anos, vai fechar no dia 31 de janeiro. A casa de livros funciona no Shopping Gávea, no Rio de Janeiro.

A fundadora Cristina Machado, a Kiki, disse ao jornal “O Globo”: “É um momento difícil, todo o setor livreiro está sofrendo com a pandemia, especialmente as livrarias pequenas. Nosso caso, a maior dificuldade é não ter um comércio online forte. Meu coração está despedaçado”.

A Timbre, segundo seus donos, “sempre foi um espaço para trocar de ideias, boas leituras e formação de novos leitores”.

À reportagem de “O Globo”, Cristina Machado relata que “o primeiro livro de José Saramago”, “A Jangada de Pedra”, foi lançado no país na Timbre. Não deve ter sido. “Levantado do Chão”, seguido de “Memorial do Convento”, deve ter sido o primeiro livro do nobelizado escritor lançado no Brasil. Pode ser, isto sim, que tenha sido o primeiro livro lançado no país com a presença do escritor.

Marcos Gasparian, da Livraria Argumento, lamenta o fechamento da Timbre: “A notícia foi tristíssima para nós. Era uma livraria pequena mas enorme no coração de todos os clientes, que a amavam. Não acredito que vai haver uma onda de fechamento de livrarias, mas não há dúvida de que as livrarias de shopping vão deixar de existir no futuro e migrar para locais mais baratos. Acredito muito no modelo de livraria de rua”. Em São Paulo, maior cidade do país, as livrarias menores, de rua, começam a vicejar.

Como afirma o poeta Iúri Rincon Godinho, “não existe civilização sem livrarias”. Portanto, acrescenta, “se a civilização é eterna, as livrarias vão continuar, ainda que tenham de mudar o modo de operar, fortalecendo o meio digital”. A praticidade da aquisição digital é inquestionável. Mas os verdadeiros amantes de livros apreciam circular pelas livrarias, folheando livros, lendo trechos, verificando autores e, inclusive, tradutores. Há os que verificam até a qualidade do papel, sua possível durabilidade, coloração…

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