O padre Julio Lancellotti é um humanista. Trata-se de um religioso que cuida daqueles que a sociedade, ao avançar, deixa para trás, de maneira incontornável. Ele cuida dos não-cuidados, dos abandonados pelo mercado — homens, mulheres, crianças e adolescentes de vidas secas. É trabalho para poucos, quer dizer, só para abnegados — aqueles que estão sobre a Terra não para acumular, e sim para ajudar. Seres realmente solidários — não meramente teóricos — são poucos.

Mesmo sendo um padre que cuida dos pobres de São Paulo, que fez uma opção pelos deserdados, Julio Lancellotti tem sido atacado por empresários e políticos de direita — aqueles que, na busca frenética pelo sucesso, não admitem ajuda aos que “fracassam”. Por certo, gostariam que as ruas do país fossem “higienizadas”.

Luciano Hang: Estátua da Liberdade e produtos chineses | Foto: Reprodução

Recentemente, Julio Lancellotti estava (está sempre) ajudando pessoas em situação de rua, que enfrentavam (e enfrentam) um frio às vezes letal, e foi criticado pelo dono das lojas Havan, Luciano Hang, o bilionário que apoia a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL). Na opinião do empresário, o padre é “bandido”. O que, claro, não é. Pelo contrário, é um religioso de verdade de uma Igreja Católica que, de fato, é inclusiva (não a inclusão dos retóricos, e sim a dos que põem a mão na massa… pelos deserdados de tudo).

Julio Lancellotti processou e a Justiça condenou Luciano Hang — o “patriota” que se veste de verde e coloca uma Estátua da Liberdade, um símbolo dos Estados Unidos, na porta de suas lojas e vende produtos chineses — a indenizá-lo em 8 mil reais. É pouco, claro. Mas o religioso vai usar o dinheiro para, mais uma vez, cuidar dos pobres. Valiosa mesma é a ação do padre.

Luciano Hang comunicou, por meio de seus advogados, que já fez o depósito dos 8 mil reais.