Euler de França Belém
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Jotabê Medeiros lança biografia de Belchior em setembro

O jornalista, consagrado no Estadão, certamente será capaz de explicar a música complexa e o homem escorregadio

O jornalista Jotabê Medeiros consagrou-se com um crítico de música preciso em “O Estado de S. Paulo”. Suas críticas e reportagens merecem migrar para o formato livro, tal a qualidade, o que, em alguns casos, garante certa permanência. Agora, está diante de um enigma, o cantor e compositor Belchior, que está biografando.

Em setembro, se tudo correr bem, vai lançar “Belchior — Apenas um Rapaz Latino-Americano”, uma biografia que, espera-se, deve explicar a música — muito mais rica e imbrincada com a cultura universal do que às vezes se imagina (há citações de Dante Alighieri, João Cabral de Melo Neto, Caetano Veloso, entre outras, mas inteiramente assimiladas), daí sua riqueza literária, para além da música — e decifrar o homem Belchior.

Jotabê Medeiros concede entrevista para Jô Soares

A tarefa de Jotabê Medeiros é típica dos que têm a energia de Hércules e o talento de Ruy Castro e Fernando Morais. Uma biografia, claro, não é uma crítica e uma reportagem alongadas. Exige mais pesquisas, fôlego, capacidade de sintetizar a imensa fartura de dados — às vezes contraditórios — e escrever bem, especialmente quando se trata de um artista-homem complexo e escorregadio como Belchior (e a respeito do qual não há uma bibliografia ampla e diversificada). Ele terá de limar os mitos criados em torno do artista e do homem para tentar nos fornecer uma visão luminosa e mais próxima da realidade a respeito do artista.

Por exemplo: diz-se que estava traduzindo “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri. Estava mesmo? Dante escreveu este livro em italiano, não em latim. O italiano é filho do latim, como o português, o espanhol e o romeno (este, sim, a última flor do Lácio), mas não é latim, que, dizem, Belchior dominava bem. Sabendo-se latim, pode-se traduzir do italiano? Talvez sim, talvez não. É provável que, sabendo latim, Belchior dominasse, fora o romeno, as demais línguas latinas. Jotabê Medeiros será capaz de esclarecer tal questão.

Caetano Veloso ganhou de presente desenhos de Belchior — são dois retratos de Carlos Drummond de Andrade — e o repórter Thales Menezes, da “Folha de S. Paulo”, viu parte de seus desenhos a respeito de “A Divina Comédia”. Tais trabalhos “pictóricos” têm qualidade? Jotabê Medeiros, se localizá-los, certamente os mostrará a desenhistas, pintores e críticos de arte para aferir a qualidade.

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