Sem dinheiro e sem rumo, fui parar na avenida de maior circulação mais próxima. Eu estava com medo de todas as pessoas que passavam em minha volta

Jairo Menezes

Fui assaltado. Empurrado, xingado, humilhado, desmoralizado. Hoje é um dia daqueles que a gente não acorda bem e tudo o que aconteceu desde o amanhecer me provou que era melhor não ter levantado.

Primeiro, meu rendimento no trabalho foi amplamente inferior do que todos os dias; não sei, mas hoje, de verdade, eu estava muito diferente.

Na saída da primeira jornada, a caminho da segunda, das três, ao falar pelo telefone com minha esposa, fui abordado por dois rapazes.

Pareciam ter entre 16 e 20 anos, um claro, de cabelo liso loiro, com uma pistola 9mm em cima de uma bicicleta Monark de marchas em cor azul, outro moreno, de boné, só me lembro do nariz-de-batata e da pistola .40 modelo glock (tinha trava no gatilho). Ele também era ciclista.

O que aconteceu daí em diante, me causa vergonha. Estava ao lado do supermercado Walmart do Jardim Goiás, eu discutia com Ludmila como seria o restante do dia.

O sujeito me chega pondo a cápsula na câmara da pistola, manda que eu me cale e arranca o celular da minha mão, minha esposa ouviu tudo.

Ele se negou a levar o aparelho, porque é de modelo que rastreia, me devolveu. O outro me deu um empurrão e puxou a mochila pendurada num dos ombros. “O que tem aqui dentro dessa mochila?”, disse que só haviam coisas sem valor, que a mochila era velha, mas poderia levar…

Só queria me ver livre deles o quanto antes.

Me devolveu a mochila, chamando o objeto de desgraça. Exigiu que lhe entregasse a carteira, o que eu fiz imediatamente. Perguntou se tinham documentos, respondi que tinha um pouco de dinheiro e que eles podiam olhar, porque não tinha nada além. Pedi que deixassem a carteira, mas levaram.

Deram as costas. Me mandaram não ir atrás, senão estourariam meus miolos.

Vi que um deles jogou a carteira para o mato de um terreno baldio, aguardei sumirem da visão e fui atrás. Recuperei.

As pernas já não eram mais minhas. Minha cabeça estava a ponto de explodir. Tudo que minha esposa falava ao telefone era nada para o que eu entendia, assim como eu me sentia naquele minuto. Não entendi porque, mas peguei um rumo oposto ao de ir embora. Sem dinheiro e sem rumo, fui parar na avenida de maior circulação mais próxima. Eu estava com medo de todas as pessoas que passavam em minha volta. Entrei em uma agência bancária, pedi uma água, tranquilizei Ludmila da situação.

Consegui chegar em casa andando. Nervoso, suando muito. Impotente. Com ódio deles, de mim, de minha impotência.

Desesperado. Goiânia não tem mais volta. A humanidade, então, está perdida. Não adianta querer progredir. Sempre tem quem te derrube, te desanime, te coloque no lugar que você é: um nada.

Jairo Menezes é jornalista.