O Popular terceirizou sua opinião crítica para jornalistas de outros jornais, como Elio Gaspari e Eliane Cantanhêde

Dois publicitários e três jornalistas perguntam: “Co­mo avalia a cobertura da Operação Laja Jato pela imprensa de Goiás?” Imbuído do máximo de boa vontade, vasculhei os jornais “O Popular”, “Diário da Manhã”, “O Hoje” e “Diário do Estado” e li várias reportagens. A maioria, sobretudo as de mais qualidade, é de agências de notícias. Além da escassez de reportagens próprias, o que sugere que o Brasil só existe para os jornais goianos a partir do que as agências enviam para suas redações, não há opinião consistente que contribua para os leitores formarem massa crítica.

Algum repórter de jornal goiano esteve em Curitiba, ao menos uma vez, para colher informações e formar fontes no local? Pela leitura de vários exemplares, é possível concluir que não. Para os jornais do Estado, a Operação Lava Jato só existe, quando existe, se as agências de notícias, como FolhaPress, Globo e Estadão, enviam material. Acrescente-se que o material de primeira linha, os furos, não são comercializados pelas agências, pois pertencem às redações dos jornais “Folha de S. Paulo”, “O Globo” e “O Estado de S. Paulo”. Seria deselegante, e até falso, sugerir que as agências enviam as sobras, aquilo que todos publicam, de Norte a Sul do país. Mas a verdade é que os jornais goianos publicam material velho, massificado nos portais da internet e pelos canais de televisão por assinatura durante todo o dia, porque são servos voluntários das agências. O “Pop”, mas não só, publica manchetes, a partir do material que chega, com várias horas, quase um dia, de atraso. O leitor fica com a sensação déjà-vu. Pior: nem é sensação, não. É fato. Os jornais impressos, os que se contentam com a cobertura factual, estão chegando velhos e, portanto, superados às mãos dos leitores. É lamentável, mas é assim.

Resta concluir que, a rigor, os jornais de Goiás não cobrem a Laja Jato, exceto com material velho e repetido das agências de notícias. Ao mesmo tempo, não têm opinião a respeito. Aliás, numa espécie de terceirização de sua opinião, as opiniões que são publicadas em “O Popular” são de jornalistas de outros jornais.

Não cabe a mim elogiar o Jornal Opção, porque seria e é cabotinismo, mas é o único jornal goiano que mantém uma cobertura analítica da Lava Jato. Concorde-se ou não com a nossa opinião, é preciso concluir: nós temos opinião — sempre crítica e heterodoxa.