Onde o céu tem mais azul/ E a amizade mais verdade/ É lá que começa o Oeste. — Arthur Chapman

Joan Didion (1934-2021) escreveu ensaios-reportagens ou ensaios puros, imaginativos? O livro “Rastejando Até Belém” (Todavia, 237 páginas, tradução de Maria Cecilia Brandi) contém ensaios que resultam de “reportagens” altamente perceptivas e há textos que são, digamos, mais ensaios e menos material jornalístico tradicional (talvez o jornalismo fosse, não o fim, e sim o meio para ela chegar às pessoas e abordá-las com interesse e precisão, sem a “pressa” tradicional do repórter).

“Rastejando Até Belém”, o principal ensaio da obra, conta a vida daqueles que aderiram à contracultura, na segunda metade da década de 1960, nos Estados Unidos. Os hippies, bem jovens, muitos deles menores, são radiografados à perfeição pela escritora. A repórter suspende, por assim dizer, seu julgamento moral para compreendê-los, acompanhando-os pelas ruas, praça, apartamentos e “viagens” pelo mundo das drogas (ácido, haxixe, maconha). Há um quê de antropologia na sua narrativa. Vigora, na maioria das vezes, o talento da escritora, a observação metódica da jornalista e a percepção aguda do antropólogo (a visada sobre o outro, a diferença).

Fico a imaginar o que uma escritora inquisitiva, como Joan Didion, escreveria sobre a Cracolândia de São Paulo. Trata-se de um caso de polícia, de saúde pública e uma questão cultural? Ouvindo as pessoas, com extrema atenção (o “julgamento”, se há, é a amostragem do que coletou), a ensaísta certamente teria algo a dizer distinto do sensacionalismo superficial dos jornais e dos apologistas de que tudo deriva do “problema social”.

O ensaio “John Wayne: uma canção de amor” não é o mais importante, mas, como o aprecio, é o que comento a seguir.

O gigante John Wayne (1907-1979), de 1,93m, morreu de câncer no estômago, aos 72 anos. Duke certamente não era um mestre como os atores formados pelo Actors Studio (a Meca de Elia Kazan e outros). Mas é, para meu gosto de cinéfilo amador, um ator perfeito para os papéis que se dispôs a representar. Como retirá-lo dos filmes de John Ford (“No Tempo das Diligências”, “Rastros de Ódio”, “Legião Invencível”, “Sangue de Herói”, “Rio Grande” e “Marcha de Heróis”), de Howard Hawks (“Rio Lobo”, “Onde Começa o Inferno”, “Rio Vermelho” e “El Dorado”) e Henry Hathaway (“Os Filhos de Katie Elder”, “Bravura Indômita”)? Impossível. Nenhum deles se sustentaria sem a presença de Duke. O ator — sim, ator — incontornável.

Joan Didion: uma das mais poderosas ensaístas norte-americanas | Foto: Reprodução

John Ford, Howard Hawks e Henry Hathaway são mestres do faroeste e seus filmes são excelentes, em larga medida, graças à atuação irretocável de John Wayne, que é menos unidimensional do que às vezes se pensa. Em “Rastros de Ódio”, a sobrinha (Natalie Wood) de Ethan Edwards (John Wayne) é sequestrada por indígenas, mas ele consegue resgatá-la.

Trata-se de um belo e doloroso filme, com atuação impecável de John Wayne. A contenção de Ethan mostra o talento dramático do ator, sua capacidade de se tornar outro — ainda durão, porém mais suave — ao chocar-se com a crueza da realidade, com seu estranhamento. Talvez seja a melhor atuação do Duke, similar, quem sabe, ao seu desempenho em “Rio Vermelho” (um dos filmes mais belos da história do cinema, um romance de formação em imagens), de Howard Hawks.

Joan Didion é tão entusiasta de John Wayne quanto eu? Talvez sim. Talvez não. Sua prosa é mais distanciada, às vezes levemente irônica. Mas não há dúvida de que admira o ator, a estrela que se tornou. Ele virou uma figura icônica, por certo, mas não tanto quanto outras personas de esquerda ou do jazz e do rock. O fato de ter sido de direita é um estigma, uma marca não aprovada pelo establishment cultural, quase sempre socialista.

Glen Campbell, Henry Hathaway e John Wayne | Foto: Reprodução

Nascida em 1934, Joan Didion tinha 8 anos, em 1943, quando viu John Wayne, no filme “Quando a Mulher se Atreve”, de Albert S. Rogell, pela primeira vez. A película conta com os atores Martha Scott e Albert Dekker.

“Vi o seu caminhar, ouvi sua foz. Ouvi ele dizer a uma garota, num filme chamado ‘Quando a Mulher se Atreve’, que construiria uma casa para ela ‘na dobra do rio onde crescem os álamos’”, escreve Joan Didion. É uma lembrança e tanto para quem tinha apenas 8 anos, pois minhas memórias da infância são, no geral, vagas (preciso da imaginação para firmá-las). Não há como não apreciar o caráter, digamos romântico e poético, do fraseado.

Joan Didion diz que conheceu homens virtuosos… mas “eles nunca foram John Wayne, numa me levaram a essa dobra do rio onde crescem os álamos. Bem no fundo do pedaço do meu coração onde a chuva artificial cai para sempre, esta segue sendo a frase que espero ouvir”.

Por que Joan Didion diz isto? “Simplesmente para demonstrar que, quando John Wayne passou pela minha infância, e talvez pela sua, ele definiu para sempre a forma de alguns dos nossos sonhos”.

John Wayne e Dean Martins no filme “Os Filhos de Katie Elder” | Foto: Reprodução

O ensaio menciona a “doença” de John Wayne, mas sem se alongar, e cita frases que diz em filmes: “Vamos cavalgar” e “Um homem tem que fazer o que ele tem que fazer”. Joan Didion não cita uma das melhores frases do ator, na pele de Dunson, em “Rio Vermelho”, de 1948: “Não trazemos nada a este mundo, e nada levamos dele”. Trata-se do epitáfio de Dan Latimer (Harry Carey, Jr.),

“Quando John Wayne falava, suas intenções eram inconfundíveis; ele tinha uma autoridade sexual tão forte que até uma criança era capaz de percebê-la. E em um mundo que logo entendemos que se caracteriza pela corrupção, pelas dúvidas e pelas ambiguidades paralisantes, ele sugeria um outro mundo, que talvez tenha existido, talvez não, mas que de qualquer maneira não existia mais: um lugar onde um homem podia se mover livremente, criar seus próprios códigos e viver de acordo com eles; um mundo em que, se um homem fizesse o que tinha que fazer, ele um dia poderia pegar a sua garota e cavalgar pelos vales escarpados em liberdade, e não ficar preso em um hospital com algo de errado dentro do corpo, não numa cama alta cercado por flores e medicamentos e sorrisos forçados, mas lá na dobra do rio cristalino, com os álamos reluzindo sob o sol do início da manhã”.

John Wayne, Dean Martin e Martha Hyer | Foto: Reprodução

A título de esclarecimento: o ensaio de Joan Didion é de meados da década de 1960. A ensaísta lembra que John Wayne nasceu em Winterset, Iowa, e seu nome de batismo era Marion Morrison (um machão não podia ter o nome de Marion). Seu pai era farmacêutico. A família se mudou para Lancaster, na Califórnia, quando ele era criança.

Nas férias de verão, quando fazia um bico mudando cenários, no estúdio da Fox, “conheceu John Ford” (o Ingmar Bergman das pradarias), “um dos vários diretores que perceberiam que, naquele molde perfeito, era possível verter os anseios inarticulados de uma nação onde todos se perguntavam em que passo exatamente haviam perdido o caminho. ‘Porra’, disse Raoul Walsh depois, ‘o filho da puta era um pedaço de homem’. E não demorou para que o garoto de Grendale se tornasse uma estrela. Ele não virou ator, e sempre teve o cuidado de esclarecer isso aos jornalistas (“Quantas vezes tenho que lhe dizer, eu não represento, eu reajo”), mas virou uma estrela, e uma estrela chamada John Wayne passaria a maior parte do resto de sua vida com algum daqueles diretores, em alguma locação abandonada, em busca do sonho”.

Aquele homem fortão, praticamente invencível nos filmes, perdeu a luta para o C(âncer)? “Dei uma surra no Grande C”, esbravejou John Wayne, antes de tudo um forte. “Eu não tinha muita vontade de ver o John Wayne num momento em que ele (pelo menos eu achava) devia enfrentar esse problema de modo privado; mas fui vê-lo, no México, quando ele estava fazendo o filme que a doença havia adiado por tanto tempo, justamente no país do sonho”, anota a escritora.

John Wayne e John Ford: o diretor “recriou” o ator | Foto: Reprodução

Quando Joan Didion, a pequenina escritora-jornalista, foi se encontrar com Duke, no México, ele estava fazendo seu 165º filme — “Os Filhos de Katie Elder” (que acho divertido, e bom, ma non troppo). Dean Martin estava lá, coestrelando o filme de faroeste do grande Henry Hathaway.

As cenas externas haviam sido gravadas em Durango e as cenas internas foram rodadas nos estúdios Churubusco, nos arredores da Cidade do México. “E o sol estava forte, o ar límpido e era a hora do almoço”, registra Joan Didion. Lá estavam Henry Hathaway, John Wayne, Dean Martin, Mack Gray e Bob Goodfried. A estrela-mor do filme “não parecia estar ouvindo ninguém”.

Reclamando que o filme não acabava, Dean Martin disse a Henry Hathaway: “O que você está planejando acrescentar? Uma guerra mundial?”

Hathaway contou aos amigos que um homem tentou explodir um avião e, embora não tenha sido bem-sucedido, foi condenado à prisão por “tentativa de assassinato”.

“E você o que diz, Duke?”, perguntou Hathaway. “Lentamente, o destinatário da pergunta limpou a boca, empurrou sua cadeira para trás e se levantou. Era ele de verdade, autêntico e genuíno, aquele movimento que no passado representara o clímax de milhares de cenas em 165 fronteiras pouco luminosas e campos de batalha fantasmagóricos, e que também estava prestes a constituir o clímax dessa cena de agora, na cantina dos estúdios Churubusco. ‘Pois bem’, John Wayne respondeu. ‘Eu mataria o cara’.” Nada politicamente correto. Assim era o Duke, implacável não apenas no cinema.

Dean Martins e John Wayne: atores que brilharam em vários filmes de faroeste | Foto: Reprodução

Como as filmagens estavam praticamente concluídas, ficaram no México “apenas os” atores “mais importantes: Wayne, Martin, Earl Holliman, Michael Anderson Jr. e Martha Hyer”. Durango era território dos homens. “É lá que começa o Oeste. Havia árvores ahuehuete em Durango; uma cachoeira, cascavéis.” A turma diz, de maneira jocosa: “Você vai perder uma coisa incrível, Durango”. E a frase acabou virando bordão. (Tive de ir ao Google: “O ahuehuete, nome científico Taxodium mucronatum, também conhecido como cipreste mexicano ou Moctezuma, é uma árvore de crescimento rápido que geralmente é encontrada em áreas pantanosas ou no clima da primavera, perto de córregos ou áreas cercadas por água abundante”.)

Os atores queriam ir embora, estavam cansados, por certo. Mas apreciavam a camaradagem, a masculina. “Enquanto durasse aquela produção eles ainda podiam manter um mundo peculiar para os homens que gostam de fazer filmes de faroeste, um mundo de lealdades e zombarias amigáveis, de sentimentos e charutos compartilhados, de intermináveis recordações aleatórias, de conversas como as dos acampamentos juvenis; e o único propósito era manter elevada a voz humana, combatendo a noite, o vento, o farfalhar do mato”. Mui belo, non?

Em certo momento, Joan Didion ouviu o Duke dizer: “Eu só bati em um cara na minha vida. Acidentalmente, quero dizer. Esse cara era Mike Mazurki”. Tive de voltar ao Google, porque nada sabia a respeito de Mike Mazurki (1907-1990), ator ucraniano-americano, um gigante de 1,96m. Então, John Wayne não era assim tão amedrontador? Pois é, eu pensava, e a ensaísta nada informou a respeito, que ele surrava um camarada por semana. Porém, como batia em tanta gente nos filmes, além de matar outros tantos, certamente, na vida real, houve, por assim dizer, uma sublimação. Não precisava bater mais, talvez estivesse cansado das estrepolias fílmicas.

John Wayne, o Duke: filmes de faroeste ficariam menores sem sua presença estelar | Foto: Reprodução

Ao ler uma nota de jornal, escrita por Hedda Hooper, que o homenageava, John Wayne disse: “Essa Hooper é uma dama. Não é como aqueles caras que só escrevem que ele está doente, doente e doente. Como podem chamá-lo de doente se ele tem dores, tem tosse, trabalha o dia inteiro e nunca reclama? O soco dele é o melhor desde Dempsey, não está doente”. Fiquei sem entender direito se a frase é de Duke ou de Ralph Volkie, seu preparador físico. Deve ser de Volkie.

Vendo o que Hedda Hooper não viu, Joan Didion assinala: “E lá estava o próprio Wayne, lutando pelo filme número 165. Wayne, com suas esporas 33 anos, seu lenço empoeirado no pescoço, sua camisa azul”. Falando nisso, gosto das camisas dos filmes de faroeste, algumas até berrantes (vermelhonas). “Não é preciso se preocupar muito com a roupa para essas coisas. Você pode vestir uma camisa azul ou, se estiver no Vale dos Monumentos [nota do Jornal Opção: a tradutora não poderia ter deixado “Monument Valley”?], uma camisa amarela”.

Joan Didion notou o chapéu novo de John Wayne. “Tinha um velho chapéu de caubói que eu amava, mas que emprestei para Sammy Davis. Quando peguei de volta, não dava para usar. Acho que deviam ficar batendo na cabeça dele e dizendo ‘Vai, John Wayne’, sabe como é, de brincadeira.” Como se vê, o Duke era bom para contar estórias e, quiçá, histórias (afinal, a vida é uma invenção das palavras).

John Wayne: o ator que firmou a reputação dos filmes de faroeste | Foto: Reprodução

No México, Joan Didion encontrou John Wayne, o homem de aço do Oeste, “trabalhando desde cedo, terminando a cena com um resfriado forte e uma tosse intensa, tão cansado no fim da tarde que mantinha um inalador de oxigênio no set”. Crível, mas quase não.

De repente, Duke critica um jornalista: “Admito que estou ficando careca, admito que tenho pneu na cintura. Que homem de 57 anos não tem? Grande novidade. Enfim, aquele cara…”. Não é um retrato que costumeiramente se faz de John Wayne, o homem forte de Hollywood e do Oeste bravio. E o retrato é feito pelo próprio ator.

O repórter havido sido bem tratado, mas duvidou do vigor de Ringo Kid. “Ele vem até aqui sem ser convidado, mas ainda assim o convido a ficar. Então sentamos para tomar um mescal servido numa jarra de água”, vocifera John Wayne. “Ele [o jornalista] precisou de ajuda para chegar até o quarto.”

Lee Marvin, James Stewart e John Wayne em “O Homem Que Matou o Facínora | Foto: Reprodução

Hathaway e John Wayne conversavam sobre os diálogos do filme e sobre as “brigas”. “Deleitavam-se entre eles, marcando quadro a quadro as variações na cena da brigalhada geral, que é sempre um atrativo dos filmes de Wayne. Às vezes justificável e outras totalmente gratuita, o filme tinha que ter essa sequência de briga porque todos adoravam fazê-la”, relata Joan Didion.

Filmes de faroeste são quase uma “religião pagã” para muitos, inclusive para mim — que rezo para vários santos, como Audie Murphy, Burt Lancaster, Clint Eastwood, Gregory Peck, Gary Cooper, Glenn Ford, Henry Fonda, James Coburn (mui bueno), James Stewart (grande entre os gigantes), John Wayne (o Pelé dos faroestes), Kirk Douglas, Lee Marvin (quando fazia um bandido, como no excelente “O Homem que Matou o Facínora”, de John Ford, nem parece que está atuando; o espectador acredita que está vendo mesmo um bandido na tela), Lee Van Cleef e Randolph Scott. Alguns deles são subestimados, porque há quem pense que o faroeste conta “apenas” a história dos Estados Unidos — quando, na verdade, os dramas narrados estão nas obras de Homero, Virgilio, Shakespeare e Cormac McCarthy (alguém pode duvidar que o melhor romance de faroeste do Brasil é “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, verdadeiro “espinho” na literatura patropi? E o melhor romance de faroeste dos Estados Unidos é “Meridiano de Sangue”, de Cormac McCarthy, que, acredito, John Ford e Howard Hawks, adorariam? Hawks, por sinal, apreciava Faulkner). Ah, a conversa deste parágrafo não está no ensaio de Joan Didion, que não é dada a encômios e, portanto, a adjetivos (e advérbios). Sua narrativa é tão substantiva quanto verbal.

John Wayne: a velhice do Duke | Foto: Reprodução

Homens, quando estão juntos, apreciam contar pilhérias e, às vezes, falar de suas mulheres. No México, Hathaway, John Wayne e seus parças, na história de Joan Didion, “comunicavam-se compartilhando piadas velhas; selavam a camaradagem zombando, de um jeito antiquado e sutil, das suas mulheres; aquelas civilizadoras, aquelas domadoras. ‘Então a Señora Wayne decide que vai ficar acordada e beber um conhaque. E aí o resto da noite sou eu dizendo ‘Verdade, Pilar, você está certa, amor. Sou um pavor. Pilar, tem razão, sou impossível’”.

“Ouviu isso? Duke disse que Pilar jogou uma mesa em cima dele.” De quem é a fala. Parece que é de Hathaway.

Ao rodar a última cena, em que aparecem John Wayne e Martha Hyer, ela entrega uma Bíblia despedaçada ao herói, que disse: “Vou a muitos lugares em que isso aí não se encaixaria”. Hathaway concluiu: “Pronto. É isso aí”.

John Wayne e sua mulher, Pilar Wayne | Foto: Reprodução

Ao término do filme, com cada um se preparando para buscar seu canto, aquele mundo másculo, de homens duros — reais ou imaginários —, “o território” deles, dos homens, “vinha se dissipando rapidamente”.

Joan Didion e o marido jantaram com John Wayne e Pilar Wayne, “num restaurante caro no Bosque de Chapultepec”, no México. “Por um tempo, foi somente uma noite agradável, uma noite qualquer. Bebemos muito e eu perdi a sensação de que aquele rosto do outro lado da mesa era, em certos sentidos, mais familiar do que o do meu marido”, sublinha a ensaísta.

“E então algo aconteceu. De repente, a sala parecia submersa no sonho, e eu não sabia por quê”, conta Joan Didion. Três homens começaram a tocar violão. John Wayne disse: “Vamos precisar de um Pouilly-Fuissé para o resto da mesa”. Pilar Wayne acrescentou: “E de um pouco de Bordeaux tinto para o Duke”.

Os homens estavam tocando “The Red River Valley” e toda a trilha de “Um Fio de Esperança”. “Não acertaram bem o ritmo, mas ainda hoje posso ouvi-los, em outro país e tanto tempo depois enquanto conto isso para vocês.”

Uma história poética, a de Joan Didion, apresentando-nos o durão John Wayne, o rei dos faroestes, como um indivíduo igualmente poético. Uma estrela, como a ensaísta diz. O ensaio vale o livro, embora não seja o melhor.