Euler de França Belém
Euler de França Belém

Jequitibá de São Paulo, com 600 anos, é a árvore mais antiga do Brasil

O jequitibá-rosa tem 42 metros de altura e quatro metros de diâmetro. Mas não é a mais alta do país

Poucos dias antes de falecer, Pedro Ludovico, o fundador de Goiânia, recebeu a visita do primeiro prefeito de Goiânia, Venerando de Freitas Borges (exemplo de decência). Relata Venerando: “Naquele instante, eu me sentei ao lado de Pedro Ludovico e ele, com as suas mãos nas minhas, apertava e me dizia: ‘Meu caro amigo, o jequitibá está tombando”. A história está contada no excelente livro “As Raízes Profundas do Jequitibá — O Processo de Construção Mítica de Pedro Ludovico Teixeira” (Trilhas Urbanas, 395 páginas), do doutor em história e professor da UFG Rildo Bento de Souza.

O jequitibá Pedro Ludovico, nascido na Cidade de Goiás, em 1891, morreu em 1979, aos 87 anos. Como os jequitibás, viveu muito. Mas, claro, não tanto como os jequitibás.

Na terça-feira, 26, o repórter “Paulo Favero”, do jornal “O Estado de S. Paulo”, publicou a reportagem “Árvore mais antiga do Brasil está em São Paulo — e agora você pode visitá-la”. Trata-se de um jequitibá-rosa — de 600 anos.

Jequitibá-rosa de 600 anos e 42 metros de altura | Foto: Tiago Queiroz/Estadão

O jequitibá, chamado de Patriarca, fica no Parque Estadual Vassununga, em Santa Rita do Passa Quatro, no Estado de São Paulo. Com seus 600 anos, é “anterior à chegada dos portugueses por aqui e” é “considerada por estudiosos ligado à USP a mais antiga do Brasil. (…) O Patriarca está quase na beira da Rodovia Anhanguera”.

Patriarca tem 42 metros de altura (o equivalente a um prédio de 14 andares) e quatro metros de diâmetro (“são necessárias 13 pessoas para ‘abraçar’ a árvore”) e “é o maior jequitibá-rosa de São Paulo”, de acordo com a Fundação Florestal. “É um pouco mais baixo que uma árvore da mesma espécie em Camaçã, na Bahia. A mais alta conhecida é um angelim vermelho gigante da Amazônia, de 88 metros”, registra o “Estadão”.

Patriarca é um resistente, mas tem contado com a ajuda humana para se tornar tão longevo. “Para cuidar do Patriarca e evitar a lixiviação do solo, que levava embora a matéria orgânica, foi necessária uma quantidade enorme de terra nas raízes, que veio em dez caminhões”, reporta o “Estadão”.

Waldonésio Borges Nascimento, auxiliar de apoio à pesquisa científica no parque, informa que “o parque tem de 300 a 400 jequitibás de grande porte. Tem ainda um cerrado de 2 mil hectares e existem onças pardas, tamanduás-bandeira e lobo-guará”. Um dos “problemas” do parque era o “excesso” de javalis. Com a captura de alguns javalis, o “problema” está sob controle.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.