Euler de França Belém
Euler de França Belém

Livro explica por que gênios às vezes fracassam e algumas pessoas nem tão geniais são bem-sucedidas

O jornalista Malcolm Gladwell investiga pesquisas e mostra que supergênios, com QIs maiores do que o do físico Albert Einstein, se tornaram seguranças e bombeiros

A obra do jornalista Malcolm Gladwell, da revista “New Yorker”, sublinha que gênios às vezes fracassam porque falta “uma comunidade ao redor que as” prepare “para o mundo”

A obra do jornalista Malcolm Gladwell, da revista “New Yorker”, sublinha que gênios às vezes fracassam porque falta “uma comunidade ao redor que as” prepare “para o mundo”

Colunista da revista “New Yorker”, acima de tudo o britânico Mal­colm Gladwell, de 52 anos, é um repórter notável e astuto. Suas reportagens, produto de pesquisas quase sempre rigorosas, não são as tradicionais dos jornais e revistas, pois esmiúça os assuntos a fundo. Seus livros são bem escritos e geralmente contam grandes histórias. É o caso de “Fora de Série” (Sextante, 283 páginas, tradução de Ivo Korytowski), que na edição brasileira ganhou o subtítulo “Descubra por que algumas pessoas têm sucesso e outras não”. Uma das coisas que descobriu é que parte, talvez a maior parte, das pessoas que têm QI alto, até altíssimo, não se tornam “bem-sucedidas” (em termos financeiros, acadêmicos).

Um dos textos mais fascinantes é “A teoria étnica dos acidentes de avião”. Mas optei por apresentar dois outros capítulos, “O problema com os gênios — parte 1” e “O problema com os gênios — parte 2”. São materiais conectados.

Gladwell conta que o “1 vs. 100”, programa de perguntas e respostas de uma emissora de televisão dos Estados Unidos, recebeu em 2008 Christopher Langan, hoje com 63 anos. Trata-se de um homem de QI altíssimo.

No programa, uma pessoa enfrenta a multidão, composta de 100 indivíduos, e deve apresentar mais respostas certas do que todos. Assim pode ganhar 1 milhão de dólares. O QI do físico Albert Einstein era 150, o das pessoas apontadas como normais é 100. O de Chris Langan é 195 — o que é raro. De inteligência aguçada, ele, mesmo sem frequentar a universidade, está esboçando uma teoria do universo.

Chris Langan é um fenômeno. Falou aos seis meses. “Com três anos, ouvia no rádio aos domingos o locutor ler em voz alta as tiras em quadrinhos enquanto acompanhava o texto em seu próprio jornal, até aprender sozinho a ler. Aos cinco anos, começou a fazer perguntas ao avô sobre a existência de Deus — e lembra que se decepcionou com as respostas”, relata Gladwell.

Na escola, Chris Langan aprendia idiomas com extrema facilidade. “Se tivesse a chance de dar uma olhada na matéria por dois ou três minutos antes da chegada do professor, acertava todas as questões.” Aos 16 anos, sabia quase tudo sobre física teórica e “conseguiu decifrar uma obra-prima reconhecidamente intrincada — ‘Principia Mathematica’, de Bertrand Russell e Alfred North Whitehead. Obteve nota máxima no SAT — um exame padronizado aplicado a alunos do ensino médio que estão se candidatando à universidade —, embora tenha adormecido a certa altura do teste”. O irmão Mike diz que, garoto, era metódico: estudava matemática, que aprendia com extrema facilidade, depois estudava francês, russo e lia filosofia. Toda dia a mesma coisa, com cada atividade tomando-lhe uma hora.

O irmão Jeff corrobora: “Quando Christopher tinha cerca de 14 anos, costumava desenhar coisas só de brincadeira, e pareciam fotografias. Aos 15 anos, imitava Jimi Hendrix perfeitamente na guitarra”. Ele matava aulas, mas os resultados de seus testes eram ótimos. “Ele conseguia assimilar a matéria de um semestre inteiro em apenas dois dias.” Detalhe: sem muito esforço, mas de maneira concentrada.

Na televisão, na disputa com 100 pessoas, Chris Langan batia todas, mas, quando o valor chegou a 250 mil dólares, retirou-se.

Fracasso dos gênios

Depois de apresentar Chris Langan, Gladwell menciona Lewis Terman, professor de Psicologia da Universidade de Stanford. Atento, Terman passou a observar o adolescente Henry Cowell, faxineiro de uma escola, que tocava piano com mestria.

Criador do Stanford-Binet, teste-padrão de QI, decidiu avaliar Cowell. Descobriu que o QI do menino superava 140, “o nível de genialidade”. A partir de então, começou a investigar crianças e jovens.

Terman encontrou uma menina que, aos 19 meses, “já sabia o alfabeto”. Uma de 4 anos lia Dickens e Shakespeare. Um rapaz foi expulso de uma faculdade de Direito porque memorizava tudo — “longas passagens de opiniões jurídicas” — com extrema facilidade. Os professores achavam que havia alguma coisa “errada”, mas não sabiam o quê. Na dúvida, expurgaram o garoto.

A partir de 1921, Terman decidiu que iria estudar, com o máximo de atenção, os superdotados. Com recursos da Commonwealth Foundation, contratou auxiliares e pesquisou crianças geniais em escolas da Califórnia. As equipes testaram aproximadamente 250 mil estudantes dos níveis fundamental e médio e selecionou 1.470 que tinham QI superior a 140. Alguns chegaram a 200. Os jovens gênios eram chamados de “Térmites” (cupins, mas há também uma derivação de Terman) pela equipe do psicólogo.

Durante anos, Terman acompanhou os gênios. “Eles foram rastreados e testados, medidos e analisados. Suas realizações acadêmicas foram anotadas; os casamentos, acompanhados; as doenças tabuladas; a saúde psicológica, mapeada.” Tudo sobre eles era registrado e interpretado. Eram orientados na escolha dos cursos universitários e empregos. A pesquisa foi publicada como “Estudos Genéricos de Gênios”.

“Nada num indivíduo é tão importante quanto o QI, exceto talvez a ética”, escreveu Terman. O pesquisador esperava dos gênios: “Devemos esperar a produção de líderes que promovam a ciência, a arte, a política, a educação e o bem-estar social em geral”.

O que Gladwell mostra é que, apesar do incentivo de Terman, nem todos os gênios obtiveram sucesso. Os fora de série, “outliers”, às vezes terminam a vida como pessoas comuns, ainda que mantendo certo brilhantismo.

Gladwell anota que “a relação entre sucesso e QI só funciona até certo ponto. Depois que alguém alcança um QI em torno de 120, quaisquer pontos adicionais não parecem se converter em vantagem mensurável no mundo real. O QI de Langan é 30% mais alto do que o de Einstein. Mas isso não significa que Langan seja 30% mais inteligente do que ele”. Na verdade, “ambos são suficientemente inteligentes”.

Cotas raciais

A Faculdade de Direito da Universidade de Michigan adotou uma ação afirmativa para beneficiar estudantes pobres. “Cerca de 10% dos estudantes que se matriculam nessa instituição a cada outono são membros de minorias raciais. A Faculdade de Direito estima que, se não reduzisse substancialmente as exigências para o ingresso desses alunos — admitindo-os apesar das notas mais baixas no ensino médio e nos testes padronizados —, essa porcentagem seria inferior a 3%.” Os estudantes brancos obtinham as melhores notas. O caso foi levado à Suprema Corte, pois alguns moradores do Estado questionaram o fato de uma instituição educacional de elite aceitar “estudantes menos qualificados do que seus colegas”.

Dirigentes e professores da Universidade de Michigan decidiram pesquisar o que aconteceu com as pessoas que se formaram pelo sistema de cotas raciais. O resultado da pesquisa surpreendeu a cúpula da escola. “Sabíamos que muitos desses nossos ex-alunos estavam se saindo bem. Nossa expectativa era encontrar um copo pela metade ou dois terços cheio, isto é, constatar que eles não eram tão bem-sucedidos quanto os estudantes brancos, embora alguns tivessem tido sucesso. Mas ficamos completamente surpresos. Vimos que eles estavam obtendo grande êxito também. Em nenhum lugar encontramos uma discrepância séria”, disse Richard Lempert, um dos responsáveis pela pesquisa. Noutras palavras, aqueles que se formaram pelo sistema de cotas raciais se tornaram qualificados e, portanto, bem adaptados à vida na sociedade.

Por que isto aconteceu? “Porque, embora as credenciais acadêmicas dos que compõem as minorias de Michigan sejam piores do que as dos alunos brancos, a qualidade dos estudantes da Faculdade de Direito é alta o suficiente para que eles ainda estejam acima do limite. Eles são inteligentes o bastante”, anota Gladwell. Não precisavam ser gênios, portanto, para se tornarem bem-sucedidos no mercado de trabalho. Eles tinham a qualificação adequada àquilo que se esperava deles na sociedade. O ambiente no qual estudaram foi, no caso, fundamental para a inserção qualificada no mercado.

“Se a inteligência só importa até certo ponto”, constata Gladwell, “então a partir desse patamar outros fatores — que não têm nada a ver com a inteligência — devem começar a pesar mais”.

No lugar do teste de QI, Gladwell sugere que se faça o “teste de divergência”. “Ele requer que você use a imaginação e leve a mente ao máximo de direções diferentes. Um teste dessa natureza não possui, obviamente, uma única resposta certa. O que ele busca é o número e a originalidade das respostas. E o que ele mede não é a inteligência analítica, mas um traço bem distinto: algo bem mais próximo da criatividade.”

Terman, pesquisador infatigável e sério, decepcionou-se, ao menos em parte, com seus gênios. “Algumas dessas pessoas publicaram livros e artigos acadêmicos ou prosperaram nos negócios. No entanto, poucos daqueles gênios eram figuras de projeção nacional. Eles tendiam a ganhar um bom salário, mas não tão bom assim. A maioria seguiu profissões consideradas comuns, e um número surpreendente acabou em carreiras que até Terman considerou totais fracassos. Não havia um único vencedor do Prêmio Nobel naquele grupo de gênios exaustivamente selecionado. Na realidade, seus pesquisadores de campo rejeitaram, entre os alunos do ensino fundamental, dois futuros prêmios Nobel — William Shockley e Luis Alvarez —, porque seus QIs não eram altos o suficiente.”

O sociólogo Pitirim Sorokin, crítico de Terman, disse: “Não há nada extra em termos de imaginação ou de padrões da genialidade que mostre que o ‘grupo de superdotados’ como um todo é superdotado”. O próprio Terman admitiu, ao final dos estudos: “Vimos, com uma ponta de decepção, que intelecto e realização estão longe da correlação perfeita”.

Ser bem-sucedido, portanto, não tem necessariamente a ver com ter um QI alto.

Robert Oppenheimer

No segundo capítulo sobre gênios, Gladwell volta a examinar Chris Langan. Sua família era tida como “complicada”. O pai desapareceu e os maridos seguintes de sua mãe eram “problemáticos” — um foi assassinado e o outro se matou. O quarto marido, Jack Langan, era um jornalista fracassado. A família era muito pobre.

Quando concluiu o ensino médio, Chris Langan, entre bolsas oferecidas pela Universidade de Chicago e o Reed College, no Oregon, optou pela segunda escola. Mesmo sendo um gênio, não se adaptou à universidade e acabou perdendo a bolsa de estudos, porque sua mãe, por não saber preencher a “declaração de ajuda financeira”, não a enviou para o Reed College.

Fora da universidade, apesar de ser um jovem brilhante, Chris Langan foi trabalhar na construção civil e como bombeiro florestal. Em seguida, entrou para a Montana State University. Estudava Matemática e Filosofia. Como morava longe, tentou transferir o horário das aulas. Quando não conseguiu, abandonou a universidade para sempre. “Acabou se tornando segurança num bar em Long Island.”

Christopher Langan, gênio sem a devida orientação, acabou sem formação universitária

Christopher Langan, gênio sem a devida orientação, acabou sem formação universitária

Chris Langan continuou estudando, por conta próprio e sozinho, Matemática, Filosofia e Física. Escreveu o tratado “Modelo Teórico Cognitivo do Universo”, apontado por Gladwell como prolixo. Como não tem “credenciais acadêmicas, teme que esse trabalho jamais seja publicado numa revista científica”.

O que faltou a Chris Langan? É possível que sua inteligência, “excessiva”, tenha gerado certa arrogância e isto o impediu de seguir uma carreira acadêmica? A falta de uma família organizada, para pressioná-lo ajudando-o a encontrar um rumo, o prejudicou? Isto e a falta de visão de professores e diretores do Reed College e da Universidade de Montana, que não souberam apoiá-lo e perceber sua genialidade, que exigia protetores pacientes, certamente contribuíram para que Chris Langan não expandisse seus múltiplos talentos.

Ao estudar Chris Langan, Gladwell menciona a história de Robert Oppenheimer, o físico americano que foi decisivo para a construção da bomba atômica.

Oppenheimer era um menino prodígio, brilhante deste o ensino fundamental. Aos 9 anos, disse para um parente: “Faça uma pergunta em latim que responderei em grego”. Estudou em Harvard e doutorou-se em física em Cambridge.

Na Inglaterra, irritado com seu instrutor, Patrick Blackett (Prêmio Nobel de 1948) — pois queria estudar física teórica e não física experimental —, tentou envenená-lo. Blackett escapou e Cambridge advertiu o aluno rebelde. Kai Bird e Martin Sherwin, na biografia “American Prometheus”, relatam: “Após negociações prolongadas, foi combinado que Robert seria suspenso e teria sessões regulares com um psiquiatra proeminente de Harley Street, em Londres”.

Chris Langan, um gênio consumado, perdeu a bolsa de estudos, por desleixo da mãe, e acabou tendo sua vida acadêmica encerrada. Oppenheimer, que tentou assassinar um professor, acabou perdoado e enviado a um psiquiatra.

Mais tarde, consagrado como um dos físicos mais brilhantes do mundo, Oppenheimer assumiu a direção científica do Projeto Manhattan, com o objetivo de construir a bomba atômica. Encarregado de encontrar a pessoa certa para dirigir o projeto, altamente secreto — não para os espiões soviéticos, apoiados por espiões americanos —, o general Leslie Groves foi orientado pelo governo a vasculhar o país. Como só tinha 38 anos e era um físico teórico, Oppenheimer, em tese, não deveria ter sido escolhido. Mas foi.

Ao conversar com Groves, Oppenheimer esmerou-se, apresentando suas ideias de maneira brilhante, com uma argumentação convincente. “Ele é um verdadeiro gênio”, disse o general. Não deu outra: o físico se tornou o chefe do projeto científico.

Por que Oppenheimer deu certo e Chris Langan, “errado”? “Porque possuía um tipo de destreza que lhe permitia obter o que quisesse do mundo.” Chris Langan, confrontado com os problemas, até comezinhos, desistia.

Inteligência prática

Um indivíduo, Chris Langan, não conseguiu retomar sua bolsa de estudos e nem convencer um diretor a transferi-lo para outro turno. Outro, mesmo acusado de tentativa de assassinato, acaba se tornando um dos maiores físicos do século 20. Por quê?

Robert Oppenheimer tentou envenenar um professor e, depois, criou a bomba atômica

Robert Oppenheimer tentou envenenar um professor e, depois, criou a bomba atômica

O psicólogo Robert Sternberg, citado por Gladwell, fala em “inteligência prática”. “Para Sternberg, a inteligência prática inclui elementos como ‘saber o que dizer e para quem, saber quando dizê-lo e saber como dizê-lo para obter o máximo de efeito’. É uma questão prática: é saber como fazer algo, sem necessariamente saber por que se sabe aquilo nem ser capaz de explicar isso. É de natureza pragmática, ou seja, não se trata do conhecimento pelo conhecimento. É o conhecimento que ajuda a interpretar as situações de modo correto e obter o que se deseja. E, um ponto fundamental: é um tipo de inteligência diferente da capacidade analítica medida pelo QI. Usando o termo técnico, a inteligência geral e inteligência prática são ‘ortogonais’: a presença de uma não implica a presença da outra. Uma pessoa pode ter muita inteligência analítica e pouquíssima inteligência prática, assim como pode ser rica em inteligência prática e pobre em inteligência analítica ou — como no caso afortunado de alguém como Robert Oppenheimer — pode ter as duas.”

Qual a “origem” da inteligência prática. “É algo que — ao menos em parte — está nos genes. Chris Langan nasceu inteligente. O QI é um indicador, em grande medida, de habilidade inata. Mas a destreza social é construída por conhecimento. É um conjunto de capacidades que precisam ser aprendidas. Elas têm origem em algum lugar — e é no ambiente familiar que parecemos desenvolver essas atitudes e aptidões.”

As pessoas geniais estudadas por Terman fracassaram, em larga medida, porque faltou-lhes apoio? “O que não tiveram foi algo que poderiam ter recebido, se soubesse que era daquilo que necessitavam: uma comunidade ao redor que as preparasse para o mundo”, frisa Gladwell. Talentos foram desperdiçados e isto ocorre com frequência.

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André

“Inteligência prática” referida no texto acima não seria o mesmo que inteligência emocional?

Leo

Não

Proteminas

Parece um pouco minha história. Meu pai faleceu precocemente. Tive que trabalhar muito cedo e não me foi possível concluir os estudos (tenho apenas o 2º grau incompleto). As pessoas sempre se impressionavam com meus conhecimentos e atividades e sou ainda considerado muito inteligente por muitos, embora seja praticamente um autodidata. Ainda na infância, aprendi a tocar violão sozinho e mesmo não tendo um talento nato para a música, sou bastante elogiado pelo meu desempenho com o instrumento. E mesmo sem formação acadêmica, tornei-me publicitário e ilustrador respeitável com carreira meteórica (ingressei numa prestigiada agência de publicidade no cargo mais… Leia mais

Nicolas Leite

Olá, poderia me enviar um contato seu? Creio que você entenderia o que tenho a dizer.

Jarbas Lopes

Olá, Nicolas. Me perdoe, apenas agora vi seu comentário. Meu e-mail é [email protected] (meu site é jarbaslopes.com). Obrigado.

Angela Lobo Bernal

Olá Nícolas . Sou [email protected]
Procuro pessoas com histórias parecidas à minha para trocar idéias e enfim , encontrar as melhores formas de trabalharmos juntos nossas dificuldades . Eu também não considero testes de QI exatos , mas segundo estes meu QI vai à 170 . Além de outros aspectos bem peculiares . Enfim . Poder me enviar uma mensagem pelo e – mail acima ? Assim que visualizar essa mensagem ? Por gentileza …

Max Millen Santos da Graça

Matéria interessante, li ate o final.