Euler de França Belém
Euler de França Belém

Imprensa não pode tratar Donald Trump como inimigo mas deve criticá-lo

O presidente trata a imprensa dos Estados Unidos como se estivesse na defensiva, quando está no ataque, tentando levá-la para a defensiva

Donald Trump: aos poucos o presidente vai entender que a imprensa não conspira, em tempo integral, contra ele e seu governo. Realismo vai vigorar | Foto: Divulgação

A imprensa americana está tratando o presidente Donald Trump como “objeto de análise e reportagem” ou como “adversário”? É provável que as duas coisas.

Donald Trump trata a imprensa dos Estados Unidos como se estivesse na defensiva, quando, na verdade, está no ataque, tentando levá-la para a defensiva. Estaria repetindo o presidente Richard Nixon? É possível. Na guerra que move à imprensa, o presidente tem como sair vencedor? Obviamente que não. Primeiro, porque a imprensa dos EUA é de alta qualidade e, se quiser, vasculhará a gestão do republicano de ponta-cabeça, mexendo no lixão que todo governo gera. Segundo, a imprensa do país não se intimida, porque depende do mercado e não do governo.

O fato é que Donald Trump não deveria, mas trata a imprensa como “inimiga”. Mas a imprensa não pode pagar na mesma moeda e, assim, não deve tratá-lo como “inimigo” ou mesmo “adversário”. O presidente é notícia e, como tal, deve ser visto e exposto. Se agir errado, contra as leis do país, merece todas as críticas. Se cumprir as leis, o registro deve ser o de que não as desrespeita. Porém, há casos em que, mesmo cumprindo as leis, um homem do poder pode ser injusto. Portanto, os repórteres e, sobretudo, os analistas podem e devem desancá-lo.
O contencioso com a imprensa tende a piorar o presente (as ações políticas e administrativas) e o futuro (a história) do presidente Donald Trump.

Numa carta a Edward Warrington, de 16 de janeiro 1787, o presidente Thomas Jefferson (1743-1826) escreveu: “Se dependesse de decisão minha termos um governo sem jornais ou jornais sem um governo, não hesitaria um momento em preferir a segunda alternativa”.

Uma das curiosidades sobre o jornalismo americano é que os principais repórteres, depois de publicar suas matérias nos veículos nos quais trabalham, lançam livros sobre os mesmos assuntos, só que mais profundos. Jeremy Scahill (“Guerras Sujas — O Mundo É um Campo de Batalha”) e Mark Mazzetti (“Guerra Secreta — A CIA, um Exército Invisível e o Combate nas Som­bras”) são exemplos de jornalistas que, com obras densas, descortinam a política e as ações militares dos Estados Unidos.

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