Por que querem tanto que o ator da TV Globo saia do armário? Para execrá-lo, para reforçar preconceitos?

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A sexualidade alheia é o espelho da nossa? Nem sempre, mas às vezes. O fato é que a sexualidade do outro chama a nossa atenção e, aqui e ali, nos incomoda. Parece ser o caso do ator Reynaldo Gianecchini, estrela de novelas da TV Globo e ex-modelo.

Recentemente, sites e redes sociais esbaldaram-se, até de maneira histérica, com fotografias nas quais Reynaldo Gianecchini aparece beijando outro homem, em Ibiza. Especularam: é um beijo, é um selinho (não se fala em amor, prazer, carinho). Coisa perfunctória do gênero. Fica-se com a impressão de que, com a divulgação das imagens, o objetivo é duplo.

Primeiro, parece que há uma pressão para que Reynaldo Gianecchini saia do armário e assuma a sua suposta homossexualidade. Por que se quer tanto que o ator “assuma”? Por que, se for o caso, não pode manter a dubiedade, até porque se trata de um galã que faz pares românticos com mulheres? Porque queremos apontar o dedo e dizer: “Ele é!” É provável que a pressão, consciente ou inconsciente, seja uma maneira de, indiretamente, execrá-lo. O diferente choca (mas também atrai) aqueles que se consideram “muito iguais”, “normativos”, os “certos”.

Uma coisa é certa, mas não para todos nós: a pessoa tem o direito de ser o que é, inclusive de, sendo homossexual, esconder sua vida privada da invasão coletiva. Há uma pressão sobre os homossexuais e nenhuma, ou quase nenhuma, sobre os heterossexuais — que são vistos como “normais” (haveria uma normalidade paranoica?). O heterossexual modelar, o “comedor”, é visto, e em geral é aceito como tal, como “admirável”. Afinal, é “normal”, mesmo se se é grosseiro, mal educado.

Segundo, a insistência sobre a vida pessoal de Reynaldo Gianecchini — que beijou outro homem (ou cumprimentou, disse sua assessoria, um amigo) —, com sua suposta homossexualidade, faz parte do velho, persistente e, às vezes, sutil preconceito contra os homossexuais.

O fato de ser bonito, bem-sucedido e famoso certamente também provoca comichões nos cérebros dos super “normais”. Homens heterossexuais costumam dizer sobre homens bonitos: “É bonito, mas é gay”. Pois é: como se gay fosse defeito e problema.