Marcelo Mariano
Marcelo Mariano

Guga Chacra faz a diferença na cobertura sobre a guerra da Síria

Jornalista não doura a pílula e, no lugar de rebeldes, chama combatentes do que são: terroristas 

O jornalista Guga Chacra, correspondente da GloboNews em Nova York, blogueiro de “O Estado de S. Paulo” e colunista de “O Globo”, enriquece o debate sobre Oriente Médio na imprensa brasileira.

Durante o programa “GloboNews Internacional”, transmitido ao vivo na noite da terça-feira, 20, os comentaristas tratavam dos bombardeiros em Ghouta, subúrbio de Damasco, capital da Síria. A impressão que estava sendo passada era a de que o governo de Bashar al-Assad era o vilão e os chamados rebeldes, os mocinhos.

O telespectador teria escutado apenas um lado da história se não fosse a intervenção de Guga Chacra, que pontuou de maneira certeira: “É importante frisar que os ‘rebeldes’ [ele fez o sinal de aspas com as mãos] são ligados à al-Qaeda. Eles são terroristas”.

Em sua coluna em “O Globo”, na quinta-feira, 22, o comentarista do “GloboNews Em Pauta” voltou a abordar o tema. “Os ‘rebeldes’ de Ghouta, na verdade, são integrantes de organizações ultrarradicais como o Jeysh al-Islam e Hay’at Tahir al-Sham, que vem a ser o braço da al-Qaeda na Síria. Não se trata de heróis lutando pela democracia e pela liberdade”, diz trecho do texto intitulado “‘Rebeldes’ sírios são na verdade jihadistas”.

Guga Chacra argumenta que os terroristas “querem substituir o regime ditatorial laico de Assad por algo muito próximo do Estado Islâmico”, haja vista que eles “reprimem mulheres e homossexuais e perseguem minorias religiosas, como os cristãos, os alauítas e os drusos”.

Mas o jornalista alerta que defender Assad não é a solução — criticar um lado não significa apoiar o outro. “Seu regime, segundo a ONU, comete crimes contra a Humanidade e deve ser condenado por estas atividades […] A alternativa no curto prazo seria insistir em cessar-fogo nesta área de Ghouta e em outras regiões” — Afrin, no norte do país, é outro local de embate no cenário atual da guerra.

Em suma, ambos são maus. Dificilmente existe lado certo em uma guerra como a da Síria — e a mídia precisa deixar isso claro. Guga Chacra, o único jornalista brasileiro que entrevistou Assad — em 2010, um ano antes do conflito eclodir —, tem raízes libanesas, entende o Oriente Médio como poucos e desempenha seu trabalho com muita eficiência.

(E-mail: [email protected])

 

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ivan leduc de lara

Há mais de dez anos acompanho o quotidiano sírio e afirmo com convicção e até sob juramento: guga chacra é o único comentarista da televisão brasileira que não fala mentiras. Desde há muito não entendia como ele não foi demitido, mas agora entendo: quando é preciso mentir, a globo news coloca outros comentaristas, como o Pontual e outros, tremendos maus-carateres. Talvez o Brasil seja o único país do mundo que possui um jornalista que não mente. Porém, quando é preciso mentir, ele sempre começa assim: “Seu regime, SEGUNDO a ONU, comete…”. É malandro, mas não é mentiroso.