Euler de França Belém
Euler de França Belém

Grupo de mídia da Nova Zelândia “dispensa” o Facebook e sua audiência se mantém alta

O público aplaudiu o boicote ao Facebook e também está contribuindo financeiramente com empreendimento dirigido por Sinead Boucher

“Magnata da imprensa da Nova Zelândia afirma que ‘as redes sociais não são mídia de notícias’ e boicota Facebook” é o título de uma reportagem do Portal Imprensa, publicada na quarta-feira, 12.

Ao enfrentar o poder do Facebook, Sinead Boucher mostra coragem. Editores e proprietários de jornais raramente criticam o Facebook e o Google por receio de boicote, o que poderia reduzir suas audiências e o quinhão publicitário. A proprietária da mídia Stuff Ltd, controladora “do portal de notícias mais popular da Nova Zelândia, stuff.co.nz, e de veículos como ‘Wellington’s Dominion Post’ e ‘Christchurch Press’”, reagiu e cortou, em junho, “o vínculo com o Facebook, que então facilitava entre 15% e 20% do tráfego de página”.

Sinead Boucher: coragem  e amplo apoio| Foto: Reprodução

O Stuff parou de anunciar no Facebook no ano passado, “depois que a plataforma não aprovou reformas de longo alcance quando um extremista de direita matou 51 muçulmanos em Christchurch e divulgou a atrocidade na rede social”.

Com a pandemia do novo coronavírus, e o Facebook se tornando um ambiente “privilegiado” para divulgação de fakes news de variados matizes, notadamente contra a ciência, o Stuff rompeu, de maneira total, com a plataforma. “No quadro geral de boatos, notícias falsas e outras coisas, sentimos que não encaixava em nossos padrões e já não nos sentíamos confortáveis. Devo dizer que o impacto no nosso grupo tem sido mínimo”, relatou Sinead Boucher à Agence France-Presse (AFP).

Jornais e revistas se acovardam, ante o liberticídio do Facebook — o fato de os usuários terem se tornado “produtos” à venda, frise-se, parece não incomodar ninguém —, mas Sinead Boucher tem a coragem tanto de fazer a crítica da plataforma quanto de se afastar dela. É importante reter que o público não fugiu do grupo de mídia dirigido pela executiva porque escapou do Facebook. Pelo contrário, o público aprovou.

Sinead Boucher assinala que, com a pandemia, o público percebe, de maneira ampla, onde pode buscar informações confiáveis e sólidas. Não é o Facebook que produz qualidade, informação precisa — pelo contrário, seu espaço está se tornando o lugar privilegiado para o primado da desinformação —, e sim os veículos ditos tradicionais. A publisher recomenda que os demais veículos de mídia criem coragem e enfrentem o Facebook. Porque, como prova o grupo que dirige, a plataforma não é tão fundamental para se obter audiência.

Sinead Boucher: enfrentando o poder do Facebook | Fotos: Reproduções

A pandemia reduziu o faturamento das empresas de comunicação, não apenas na Nova Zelândia. Mas, sublinha Sinead Boucher, o “nosso público nunca foi tão forte, porque todo mundo se volta para o jornalismo em busca de informações confiáveis. A crise da Covid-19 realmente explica a necessidade do jornalismo”.

Sinead Boucher frisa que, ao exigir que o Facebook e o Google “paguem à mídia pelas notícias que publicam em seu conteúdo”, a Austrália está absolutamente correta e é um exemplo para o mundo. Facebook e Google atuam à semelhança de gigolôs, apropriam-se das notícias produzidas por jornais, revistas, sites, mas não lhes pagam — ou, quando decidem contribuir, repassam migalhas, como uma maneira de “enganar” os supostos parceiros.

Sinead Boucher afirma que o grupo que dirige não demitiu nenhum funcionário durante a pandemia do coronavírus. Reduziu salários, mas, em julho, devolveu a parte que havia sido cortada.

O grupo da Nova Zelândia pede contribuições aos seus leitores, enfatizando que “as redes sociais não são mídia de notícias”. O público está contribuindo e também aplaudiu o boicote ao Facebook.

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