Euler de França Belém
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Grupo Abril, que edita Veja e Exame, é vendido para o empresário Fábio Carvalho

O investidor adquiriu a empresa da família Civita — que tem patrimônio de 10 bilhões de reais — pelo valor simbólico de 100 mil reais

Fábio Carvalho, advogado e investidor, comprou o Grupo Abril

O Grupo Abril não resistiu à morte de seu grande empreendedor, Roberto Civita, que, ao lado do pai, Victor Civita, construiu um império na área de comunicação, notadamente no ramo de revistas (a TVA foi o grande fracasso do grupo). Dois filhos, Victor Civita Neto e Giancarlo Civita, assumiram o comando do grupo, mas, sem a vocação dos pioneiros, naufragaram. Em processo de recuperação judicial, com uma dívida de 1,6 bilhão de reais, o grupo foi vendido, nesta semana, por 100 mil reais — um valor apontado como simbólico. O comprador, o empresário Fábio Carvalho, está assumindo o passivo do grupo — que se livra tanto da dívida bilionária quanto de produtos deficitários. Agora o negócio só depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica. A tendência é que o Cade autorize o acordo.

Giancarlo Civita e Victor Civita Neto: sem a vocação do pai (Roberto Civita), os irmãos estão passando o Grupo Abril pra frente

A especialidade de Fábio Carvalho é comprar empresas em situação falimentar. Depois de recuperá-las, quando possível, vende-as. O empresário deve ser o CEO do grupo, possivelmente a partir de fevereiro. Em nota, o comprador frisou: “A capacidade e importância jornalística do grupo é inegável. Não temos dúvida dos méritos e qualidades que permeiam as companhias do grupo e que serão os pilares sobre os quais nos apoiaremos para superar os grandes desafios que se apresentam”.

A revista “Exame” informa a Legion Holdings, sociedade de investimentos criada por Fábio Carvalho, sustenta o negócio. Giancarlo Civita frisa que “Fábio reúne as características de empreendedor e a visão de negócio que os novos tempos exigem. Desejamos a ele muito sucesso”.

Anamaria Roberta Civita, Giancarlo Civita, Roberto Civita (o pai do trio) e Victor Civita Neto

A recuperação judicial do Grupo Abril é vista como mamão com açúcar para a família Civita e fel para os credores. Victor Civita Neto e Giancarlo Civita, propuseram, pagar 8% das dívidas aos seus credores, num prazo de 18 anos. A empresa deve a bancos — a dívida mais vultosa —, a fornecedores e dezenas de trabalhadores. A dívida trabalhista chega a 90 milhões de reais.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo divulgou nota: “Prosseguimos nos dirigindo à família Civita para que sub-rogue a dívida trabalhista, pois tem uma dívida moral com todos os que construíram sua fortuna com um trabalho abnegado e diário por anos, e, no caso da venda, esperamos que sua concretização inclua o pagamento imediato e integral de tudo o que é devido a demitidos e freelancers (valor equivalente a menos de 6% do total da dívida da empresa)”.

A Revista Forbes informa que os irmãos Giancarlo Francesco Civita, Anamaria Roberta Civita e Victor Civita Neto têm fortuna avaliada em 3,3 bilhões de dólares.

O Grupo Abril edita, entre outras revistas, a “Veja”, a “Exame” e “Quatro Rodas”. As três publicações, em termos de faturamento, é o carro-chefe do grupo. Há possibilidade de, recuperada as finanças, os produtores serem vendidos separadamente. O dono da Natura chegou a ser mencionado como interessado numa das revistas, provavelmente a “Exame”. Do ponto de vista jornalístico, de intervenção na vida do país, a “Veja” é apontada como a “joia da coroa”.

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NILSON JAIME

As Leis brasileiras são feitas para permitir aos empresários tungar os trabalhadores e a previdência. Como os irmãos Civita têm um patrimônio pessoal de 3,3 bilhões de reais e lhes são permitido vender uma empresa, deixando dívidas trabalhistas e previdenciárias para trás? O patrimônio deles saiu do nada, ou cresceu drenando as reservas das empresas do grupo? Jogada tosca, usada por muitas empresas em recuperação judicial nos dias de hoje. Ricos que deixam a empresa depois de limpa-las.