Euler de França Belém
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Grupo Abril demite mais de 100 funcionários mas não pede recuperação judicial

A maioria dos demitidos não é jornalista, é da parte administrativa

Arnaldo Figueiredo Tibyriçá, presidente do Grupo Abril: empresa não vai pedir recuperação judicial

Há uma crise na imprensa brasileira e mundial. Há uma contradição: os jornais e revistas brasileiros nunca foram tão lidos — as visualizações são na casa dos milhões —, mas não há um faturamento correspondente. Em alguns casos, há veículos gastando dinheiro para produzir informações gratuitas para os leitores. O Grupo Abril, assim como outros, enfrenta problemas bancários há alguns anos. Por isso, admitiu, nesta semana, que iniciou um processo de demissões. O Portal dos Jornalistas calcula que serão afastados de 130 a 170 funcionários — quatorze ou dezessete deles jornalistas. Outra fonte sugere que as demissões de jornalistas devem passar de 50 — nas revistas “Veja”, “Exame” e outras. O presidente Arnaldo Figueiredo Tibyriçá confirmou as demissões, mas nada informação sobre a quantidade de funcionários que estão perdendo os empregos. O executivo negou que o Grupo Abril planeja pedir recuperação judicial. O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Paulo Zocchi, afirma que alguns profissionais já foram desligados, mas não dá para saber quantos, porque, de acordo com a nova legislação trabalhista, “as empresas não são mais obrigadas a homologar as demissões nos sindicatos”.

Em comunicado, Tibyriçá esclareceu a situação do Grupo Abril: “Ontem demos os primeiros passos de uma reorganização da Abril, que, infelizmente, envolveu o desligamento de alguns colaboradores. No entanto, esse movimento viabilizou um redesenho de estrutura e processos. Nosso objetivo com isso é lidar com um legado estrutural dos tempos em que tínhamos um portfólio de negócios mais diversificado e, ao mesmo tempo, ajustar a estrutura para alavancar nossos negócios atuais. É um movimento voltado para a eficiência e rentabilidade por meio da redução e simplificação da nossa estrutura.

“Quanto a essa história de recuperação judicial, garanto que isso não faz parte da minha missão, porque a superação de nossos desafios não requer medidas desse tipo. E, profissionalmente, apesar da minha formação jurídica, eu não tenho nenhum interesse em participar de um cenário desses. Aceitei o desafio de ser presidente da Abril para gerar valor e lidar com desafios de negócios. Alimentar boatos equivocados como esse indica apenas um desconhecimento sobre nossos negócios”.

Demitidos confirmados

Comenta-se, na redação da “Veja” e da “Exame”, que algumas sucursais serão enxugadas. O Portal dos Jornalistas diz que, apesar dos boatos, a sucursal da “Veja” em Brasília, a que sofreria mais cortes, está trabalhando normalmente. O que se comenta na redação é que a sucursal de Brasília é apontada como a mais eficiente e a que mais produziu capas em 2017.  Pensa-se efetivamente em reduzir o número de editores e de colaboradores (planeja-se cobrar mais produção, inclusive de artigos, dos jornalistas que ficarem). A maioria dos demitidos deve ser de funcionários da sede, em São Paulo. Na parte executiva, foram demitidos Patrícia Weiss, diretora da área de branded contente, e Dimas Mietro, diretor de Vendas para a Audiência e do GoBox.

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William

A Veja quebrou definivamente quando desceu ao inferno à procura de luz, entregando-se à esquerda (leia-se André Petry).