Todos os governos, quando não são limitados com rigor pelas leis, grampeiam repórteres que não se subordinam

O que o WikiLeaks e Edward Snowden mostraram, com dados fartos, é que os governos, quando podem, investigam a vida de políticos, militares, empresários e jornalistas. Legal ou ilegalmente, não importa. O que vale, na guerra global por informação, é chegar primeiro a dados privilegiados. O governo dos Estados Unidos — independentemente de quem é o presidente, se é republicano ou democrata — é mestre em espionar políticos e jornalistas.

O repórter John Crudele, do “New York Post”, denuncia que, mais uma vez, o Depar­ta­mento de Justiça dos Estados Unidos, por meio de grampos eletrônicos, está espionando jornalistas do país. O presidente Donald Trump quer obter informações a respeito de quais fontes internas do governo estariam repassando informações privilegiadas para um grupo de jornalistas, possivelmente do “Washington Post” e do “New York Times”, os dois jornais que mais têm deixa­do a gestão do republicano em maus lençóis. Auxiliares do poderoso chefão suspeitam de um militar de alta patente. Quem conhece a história americana sabe que presidente que “briga” — caso de John Ken­nedy (sobretudo seu irmão Bob Kennedy) e Richard Nixon — com alguém do FBI não se sai bem.