Amigos e conhecidos perguntam: você viaja sempre para Buenos Aires? Respondo: não; viajo para as livrarias da capital da Argentina e, às vezes, para Montevidéu¹.

Buenos Aires é uma cidade linda, com sua arquitetura, digamos, europeia. Seus cafés, com pessoas lendo livros e, ainda, jornais — “Clarín”, “La Nación” e “Página 12” —, são interessantíssimos, não há dúvida. Mas não me entusiasmam tanto assim, exceto, quem sabe, na primeira viagem.

Quando posso, vou à excelente Feria Internacional del Libro de Buenos Aires. Sou até credenciado. As principais livrarias instalam stands e dão descontos. A distribuidora Waldhuter — que não tem livraria física— comparece com novidades locais e importadas quase sempre de Barcelona e Madri.

Os livros na Argentina são, em geral, caros. Possivelmente porque, muitos deles, são importados da Espanha. Portanto, chegam com preço baseado no euro.

Zivals 500 cartaz desapropriação

Na Argentina não se usa, em todas as lojas, o parcelamento no cartão de crédito. Mas as livrarias já aceitam dividir, “en cuotas sin interés” — sem juros.

Paguei 414 reais pelo livro “Normandia 1944 — El Día D y la Batalla por Francia” (Ático de los Libros, 918 páginas, tradução de Joan Eloi Roca), de James Holland. Por sinal, só o encontrei na Disquería e Librería Zivals.

Só adquiri o livro porque, apesar de ter lido pelo menos sete livros de qualidade sobre a Normandia — um deles, excelente, sobre a visão alemã dos combates —, James Holland sempre tem algo novo a dizer. Porque escarafuncha os arquivos e apresenta novas informações.

Onde compro livros em Buenos Aires? Antes de ir às livrarias tradicionais, faço uma ronda atenta pelos sebos — librerías de viejo — na Avenida Corrientes e na bancas de rua da Plaza Italia, em Palermo (nas proximidades, troco reais por pesos; às vezes, desloco-me para a Recoleta para trocar pilas com o cubano Pedro, um jovem negro que planeja se mudar para a Rússia).

As livrarias argentinas de minha devoção são a Eterna Cadencia, Guadalquivir, Libros del Pasaje, Cúspide, Zivals e Librería Hernández (sempre acho aí livros que não são encontrados nas famosas El Ateneo, Yenny e Cúspide)

Na Plaza Itália, encontrei (por 10 reais) a biografia de George Orwell na qual o autor, Jeffrey Meyers, relata que o primeiro livro do escritor britânico foi publicado graças ao empenho de uma brasileira-gaúcha, Mabel Robinson Fierz (leia no Jornal Opção: https://tinyurl.com/yvfnzns9).

Fernando Laviz 1300 é o dueño de Libreria Zivals Foto de guadalupe lombardo Página 12
Fernando Laviz, dirigente da Zivals | Foto: Guadalupe Lombardo/jornal Página 12

Entre os sebos há o Dickens, o Kafka e a antiquíssima Librería de Ávila (vende livros novos também). Há outros, quase todos com bom acervo e, sobretudo, com preços bem menores.

A livraria Edipo vende livros novos e usados. O livreiro Javier Alejandro Sualdo, da Edipo, é um guia altamente seguro e bem-informado sobre a literatura latino-americana.

Javier Sulado me indicou, entre outros, Salvador Benesdra (autor de “El Traductor”), Enrique Molina, Martha Lynch e Francisco Madariaga. É leitor de Alejandra Pizarnik e Oliverio Girondo², dois poetas argentinos fabulosos. Nos tornamos amigos e, via email, mantemos correspondência.

Na Livraria Cúspide da Recoleta, há alguns anos, o jovem livreiro Alejo Ini nos apresentou “Pássaros na Boca”, livro de contos de Samanta Schweblin. É uma das escritoras argentinas preferidas de Candice. Ao lado de Mariana Enriquez.

Bioy Casares, Victoria Ocampo e Jorge Luis Borges. Eles “estão” na Zivals | Foto: Reprodução

Depois dos sebos — não tenho tenho entusiasmo por antiquários (o prazer de Marcelo Franco, segundoguerrófilo, e Nilson Jaime) —, começo a peregrinação, paciente e demoradamente, pelas livrarias. Amor de toda uma vida (34 anos), Candice Marques de Lima, igualmente apaixonada por livros, e eu estamos sempre juntos. Quando se cansa da caminhada, ela entra num café, como El Gato Negro, na Corrientes. Toma café, come uma medialuna e começa a leitura de um livro.

Olhei bem os olhos dos frequentadores da Discoteca e Livraria Zivals. São olhos de pessoas apaixonadas, não por dinheiro e poder, e sim pela arte. Gente que fala baixo, quase sussurra — deliciada com o que encontra

Na cidade de Rosário, onde os argentinos são altamente simpáticos e colaborativos, há o sebo El Pez Volador.

A “El Ateneo” é linda — fica na antiga sede de um teatro renascentista, por assim dizer — e seu acervo é de qualidade. Mas não me encanta como livraria, e não apenas por que está sempre muito cheia de turistas fazendo fotografias. Mas bato ponto lá ao menos uma vez em cada viagem. Assim como na Yenny, do mesmo grupo. As duas têm boas edições de livros de (e sobre) Jorge Luis Borges. Porém, quase nada de Oliverio Girondo, o maior poeta da Argentina, na minha opinião, quiçá idiossincrática.

Billie Holiday: quer ouvir o jazz da cantora? Vá a Zivals

As livrarias argentinas de minha devoção são a Eterna Cadencia, Guadalquivir, Libros del Pasaje, Edipo, Cúspide e Librería Hernández (sempre acho aí livros que não se encontra nas casas mais famosas, caso da excelente biografia “Lealtades Enmarañados — Vida y Época de Iliá Ehrenburg”, de Joshua Rubenstein. Este livro mudou minha visão sobre o escritor russo, que não era meramente stalinista — era bem mais complexo). Há, em San Izidro, a ótima Notanpuan.

Entretanto, na última viagem que fiz a Buenos Aires, em 2025, encantou-me a Librería Zivals, entre as avenidas Callao e Corrientes.

Descobri a Zivals batendo pernas pelas Corrientes — num desses dias que, olhando o relógio, andei, a pé, cerca de 22 quilômetros. Entrei. Encanto de imediato, amor à primeira vista.

A Zivals estava cheia de pessoas interessadas nos livros, discos, CDs e DVDs. Não havia pessoas fazendo fotografias, rindo e falando alto.

Samanta Schweblin: a escritora argentina “está” na Zivals | Fotos: Jornal Opção e reprodução

Os argentinos compram discos de vinil (rock, jazz etc.), CDs e DVDs. Sempre. Fiquei mesmerizado.

Comecei a vasculhar as estantes de literatura, história, filosofia e biografia. O acervo é de primeira linha. A Zivals passou a ser uma das minhas livrarias preferidas. Talvez a preferida, ao lado da Eterna Cadencia e, contrariando os amigos, a Hernández.

O governo de Buenos Aires planeja expropriar e derrubar a disquería e librería Zivals. Para mim, é como se estivesse querendo pôr abaixo o que restou do Coliseu ou uma pirâmide do Egito. Vão cometer um crime cultural

Lembrei-me da Zivals ao ler uma reportagem escrita por Santiago Brunetto e publicada pelo jornal “Página 12”.

O governo portenho planeja demolir o edifício sede da Zivals para construir a futura Linha F do metrô. Dono da “histórica disquería e librería”, Fernando Laviz comanda uma resistência ao, diria Adoniran Barbosa, “progréssio”, que a tudo devasta, ignorando as belezas do mundo — que deveriam ser permanentes.

Charlie Parker e Miles Davis: sim, eles “estão” na Zivals | Foto: Reprodução

“Laviz defende com unhas e dentes o local que hoje exibe um grande mural de Charly García”, anota “Página 12”. A livraria é, afirma seu dono, uma “reserva cultural transgeracional”. Charly García, de 74 anos, é o pai do rock argentino.

A Zivals tem 55 anos — é uma senhora bela, elegante e culturalmente rica (há um cheiro de eternidade no ar). É frequentada por idosos e jovens. Porque lá todos encontram o que há de melhor, em vários campos da cultura. Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Charles Parker, John Coltrane e, entre outros, Miles Davies? Sim, estão todos lá — mais vivos e ativos do que nunca. Rock? A loja contém o que há de melhor.

Livros? A mão de quem organiza o acervo é, por certo, benzida pelos deuses “religiosos” e, também, pagãos (afinal, uma livraria é um templo de outro tipo de ordem religiosa — laica ma non troppo). Há o que tem de melhor que circula pelo mundo. García Lorca? Federico está lá — com sua fabulosa poesia (é o Fernando Pessoa da Espanha) e seus muitos amores homossexuais. Aprecia a história da Segunda Mundial Mundial (1939-1945)? Saiba: há fabulosas obras a respeito, muitas delas inéditas em português, como vários livros de James Holland.

Mariana Enrique pode ser “encontrada” na Zivals | Foto: Reprodução

Silvana Ocampo, Borges, Bioy Casares, Cortázar, Pizanirk, Girondo, Mariana Henrique e Samanta Schweblin? Estão todos lá — agitando as estantes e conversando com os leitores, falando de alma para alma. Um diálogo entre o moderno e o eterno.

Há um clamor dos que amam cultura pela preservação, de maneira integral, da Zivals. De pé, atenta, Buenos Aires apoia a excelente disquería-librería. Porque trata-se de um patrimônico histório-cultural da capital

Olhei bem os olhos dos frequentadores da Zivals. São olhos de pessoas apaixonadas, não por dinheiro e poder, e sim pela arte. Gente que fala baixo, quase sussurra — deliciada com o que encontra.

O repórter Santiago Brunetto entrevistou Fernando Laviz. Ele diz que, com a Zivals, trouxe um pedaço — uma esquina — de Nova York para Buenos Aires.

A Zivals representa muito para a cultura de Buenos Aires, frisa Fernando Laviz. “É um dos poucos espaços da Avenida Corrientes que sobrevive com o espírito cultural dessa época” (década de 1970, e até antes). Ele pontua que, como a livriria-discoteca tem um espírito familiar, cultiva-se a questão cultural, sua amplitude, como norma. Há um espírito Zivals, digamos. Que, sendo atemporal, não segue as modas.

O brilhante livro de James Holland foi adquirido na Zivals | Foto: Jornal Opção

Tio de Fernando Laviz, Bocha Muñoz, de 93 anos, vai todos os dias à Zivals. Para trabalhar. O que mostra amor pelo negócio da arte.

A Zivals tem 30 funcionários (percebi que são bem informados e atentos; por sinal, ao contrário do que dizem alguns basileiros, os argentinos são educados e gostam de conversar e informar). A média de tempo que trabalham na livraria é de 15 a 20 anos (por isso sabem bem o que estão vendendo; um deles me disse “‘caballero’, vou levá-lo ao setor de história”. Deu-me informações precisas). Alguns se aposentam (jubilam) trabalhando na empresa.

Há, no momento, uma crise das livrarias da Argentina (fala-se numa “emergência livreira”). Muitas não estão conseguindo pagar o aluguel dos imóveis. A Ediciones de la Flor, a editora que, durante décadas, publicou as histórias de Mafalda, de Quino, anunciou que está fechando as portas (leia no Jornal Opção: https://tinyurl.com/mr27s785).

A Livraria Aleph decidiu encerrar suas atividades, depois de quase 60 anos no mercado. (O presidente Javier Milei, o Flávio Bolsonaro da Argentina, não está minimamente interessado em apoiar livrarias e editoras.)

Ana María Miller 1300 directora de Ediciones de la Flor | Foto: Sandra Cartasso/Página 12
Ana María Miller, a Kuki: diretora da Ediciones de la Flor | Foto: Página 12

De acordo com Fernando Laviz, a Zivals “resistiu a todas as crises econômicas, sociais e as próprias do mercado discográfico: a queda do CD, a pirataria, o stremming”. Segue firme, e sem vender celulares e bugigangas.

Mas agora o governo de Buenos Aires quer “derrubar” a Zivals. Para mim, é como se estivesse querendo pôr abaixo o que restou do Coliseu ou uma pirâmide do Egito. Se o fizer, estará cometendo um crime contra a cultura.

O governo de Buenos Aires anunciou que, para construir a Linha F, com o objetivo de construir a estação de Corrientes e Callao, precisa derrubar a Zivals. (O que penso? Foda-se o metrô e deixe a Zivals em paz e em pé. Ah, perdoe, leitor, o palavrão. Tu sabe, por certo, que tenho razão.)

Técnicos do governo conversaram com Fernando Laviz, em busca do que chamam de “solução de convivência”. “O que implacaria fazer a estação e, depois, construir um piso para a Zivals. Mas não estamos buscando reabrir em outro lugar ou manter o negócio. Queremos manter o espírito da Zivals, que é um reservatório cultural transgeracional da cidade”, diz Fernando Laviz.

Charly García Foto Nora Lezano Divulgação
Charly García: músico argentino; ele “está” na Zivals | Foto: Nora Lezano/Divulgação

Durante as reuniões com os executivos do governo, Fernando Laviz postulou: “Isto [a derrubada da Zivals] é como querer expropriar Las Violetas” e recolocá-la num espaço menor. Acredito que o livreiro esteja se referindo ao Café Las Violetas, icônica confeitaria inaugurada em 1884.

“Página 12” ouviu o ministério responsável pela obra. “Nós oferecemos várias alternativas, como dois pisos [andares] no mesmo lugar”, disseram. O ministro Pablo Bereciartua disse que, construída a estação, a “disquería” poderá continuar funcionando no mesmo local. Ele admitiu que a disquería-livraria tem importância na vida cultural de Buenos Aires.

O governo insiste que irá derrubar o prédio que abriga a Zivals e, depois, construirá outro edifício. Fernando Laviz denuncia que é uma “loucura”. “Que vamos fazer, durante a obra, com todos os discos e livros? Dizem que estão propondo uma solução, mas é como negociar com um revólver sobre a mesa.”

O governo admite que a estação do metrô poder ser feita em outro lugar. Mas acrescenta que o “melhor” lugar é no espaço da Zivals.

Oliverio Girondo: um dos mais importantes poetas argentinos | Foto: Reprodução

A Zivals foi fundada em março de 1971 por Félix, Isabel, Gloria e Javier Laviz. O local era pequeno e, depois, os donos ampliaram a disquería-livraria. Trata-se de “uma das primeiras lojas do país a oferecer música e livros sob um mesmo teto”.

Havia um ecossistema cultural (e gastronômico) na região, com o Centro Cultural Rojas, o Cine Cosmos, o Teatro General San Martín e o Teatro Picadero, Ave Porco, La Verdulería, Music Up, la confeitaria La Paz e a Politeama.

“Zivals era parada obrigatória nesse mapa. O cliente entrava para procurar um disco e saía, duas horas depois, com um romance debaixo do braço”, assinala Fernando Laviz.

O Legislativo aprovou a contratação de empréstimo para fazer a obra. A licitação para a construção já “foi lançada”. Mas não houve avanço sobre as expropriações.

Fernando Laviz reuniu-se com parlamentares peronistas, como Graciana Peñafort, e com o grupo do ex-chefe do governo Horacio Rodríguez Larreta, com o objetivo de não se usar o espaço da Zivals para a estação do metrô.

Há um clamor dos que amam cultura pela preservação, de maneira integral, da Zivals. De pé, atenta, Buenos Aires apoia a excelente disquería-librería. Porque trata-se de um patrimônico histório-cultural da capital da Argentina.

Se você nunca foi à Zivals, vá. Sairá encantado com seu magnífico acervo: livros, discos etc. Respira-se cultura no ambiente da discoteca-livraria.

Livros causam problema no Uruguai

1

¹ Estava no Aeroporto de Carrasco, em 2024, para voltar ao Brasil. De repente, anunciam meu nome. Pensei: pronto colocaram drogas nas nossas malas. Me apresentei aos policiais federais de Montevidéu. “Caballero, o scanner não conseguiu detectar o que contém sua mala. Pode abri-la para verificação”. Abri. Quando viram que estava cheia de livros, riram. Abriram cerca de dez livros, folhearam e, como nada encontraram de ilegal, me liberaram. Rimos todos.

A mala continha 58 livros, entre novos e usados — entre eles as extrardinárias biografias de Samuel Beckett (densa pesquisa de Anthony Cronin, tão boa quanto a de James Knowlson) e Henry Thoreau (escrita por Robert Richardson).

Por sinal, um dos policiais federais conhecia Goiânia. Assistira um jogo entre um time uruguaio e o Atlético Goianiense.

Os uruguaios são simpáticos e muitos sabem português, aprendido nas escolas. Apreciam dizer: “Somos pequenos”. Quando dizem isto estão comparando o Uruguai — bem menor do que Goiás — com o Brasil. Conheci um garçom, num restaurante da família de João Goulart, que fala português fluentemente.

2

² Em 2013, quando Jorge Bergoglio foi escolhido papa pela Igreja Católica — tornando-se Francisco, um papa extraordinário —, eu e Candice estávamos em Buenos Aires. Fomos ao Cemitério da Recoleta, o mais famoso do país (o segundo é o Cemitério da Chacarita, onde estão enterrados a poeta Alfonsina Storni e o cantor Carlos Gardel).

No Cemitério da Recoleta está sepultada Evita Perón, a celebrada mulher do presidente Juan Domingo Perón. Uma multidão está sempre postada nas proximidades de seu túmulo. As câmeras dos celulares trabalham sem parar.

Alejandra Pizarnik: extraordinária poeta argentina | Foto: Reprodução

Ao chegarmos ao cemitério, a guia, que se apresentou como antropóloga — estava fazendo um bico —, perguntou se queríamos ir ao túmulo de Evita. Dissemos não.

Nós estávamos interessados em visitar o túmulo de Oliverio Girondo (Candice fez uma foto minha — um vivo homenageando um poeta cuja poesia não morre; está cada vez mais viva), de Bioy Casares e das Ocampo (Silvina e Victoria; admiro as duas: Silvina pela literatura, e Victória pelo seu ativismo cultural — era uma “revolucionária conservadora”).

A antropóloga ficou surpresa, nos deixou e foi orientar aqueles que preferiam conhecer o túmulo da mulher de Perón.

Como aprecio cemitérios e mortos (gostaria de falar com alguns deles; por exemplo, minha bisavó Tuosa e meu tio-avô Pedro), na próxima vez que visitar a Argentina, irei ao Cemitério Israelita de La Tablada, para ver o túmulo da magnífica poeta Alejandra Pizarnik, de quem li, siderado, quase toda a poesia.

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