Euler de França Belém
Euler de França Belém

Goebells (o gênio da comunicação), a vadia (Marta) e Hitler, o homem que ambos amavam

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Iúri Rincon Godinho

Especial para o Jornal Opção

Dizer que guerras são terríveis é fácil. Difícil é falar dos avanços que ela traz para a humanidade em termos de inovação. A luta pela sobrevivência por meio das armas — de um país, uma religião, uma ideia — é tipo uma vitamina para o progresso. Longe de ser necessário, o conflito bélico indiscutivelmente tem seu lado positivo.

Na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a propaganda se beneficiou — se beneficia ainda no século 21 — de muitos ensinamentos do ministro da Propaganda do nazismo, Joseph Goebbels, agora explicitado à exaustão na bela, apurada e longa biografia do historiador alemão Peter Longerich, radicado na Inglaterra.

Muito do que se usa hoje na comunicação foi aplicado à perfeição na Alemanha dos anos 30 e 40: o reforço das boas notícias, a maquiagem do que é considerado negativo e, em especial, a insistência em uma mentira até que ela passe a ser verdade. Esquerda, direita, centro, todo mundo usa Goebbels até hoje.

Ele foi um profissional tão sofisticado que usava até a esquecida propaganda boca-a-boca, colocando os nazistas da base para espalharem nos bairros notícias que interessavam no momento. Na organização de eventos, encantava as plateias com estandartes gigantes de cores básicas e discursos sempre inflamados em amplos espaços, com vasta participação militar.

Contando a vida do ministro da Propaganda de Hitler, Longerich passa com desenvoltura pela paisagem alemã pós-Primeira Guerra (1914-1918), descobrindo a história de um jovem comum, sensível, que o destino colocou para viver em um tempo extraordinário. O Goebbels adolescente e do início da juventude em nada diferia do brasileiro cheio de sonhos, de amores platônicos, amigos e bebedeiras à procura de estudo e trabalho.

Mais tarde, já ao lado de Hitler, sua personalidade se transformará. Apaixonado pelo líder, não se importava em ser deixado fora das grandes decisões do Partido Nazista. Como gauleiter de Berlim — uma espécie de prefeito —, passou a não ter opinião própria. Sua vida significava o Partido Nacional-Socialista e, mais importante, o que Hitler pensava e mandava. Muitas vezes chegaria em frente ao Führer com uma ideia para sair de lá dez minutos depois convencido do contrário.

Essa relação homossexual sem sexo é o ponto alto do livro, em especial quando entra em cena Magda Goebbels. Nas fotos não apresenta beleza singular, mas devia ser, para definir com uma palavra antiga, “um ‘troço’”. Quando Goebbels a conheceu, já era casada. Se vivesse hoje, vários adjetivos poderiam colar na moça: vadia, fogo na roupa, maluca. Também apaixonada por Hitler como o marido, várias vezes o visitava sozinha, não raro sem avisar Goebbels — o que admite com desassombro em seu diário.

Antes de a guerra começar, em 1939, Marta quase o enlouqueceu com suas desaparecidas, discussões e encontros muito provavelmente não apenas com o Führer que, como se sabe, não era lá muito chegado na energia sexual, apesar de não haver indícios de que tenha sido homossexual. Ele apreciava a companhia feminina — pelo menos.

Depois que a Polônia foi invadida, em setembro de 1939, e começa a Segunda Guerra Mundial, a vida pessoal de Goebbels passa a segundo plano. Nos seus diários, ele se ocupa exclusivamente da política, das intrigas em seu departamento e da disputa interna que travou contra a comunicação da Wehrmacht, as Forças Armadas alemãs, que tinham independência.

Goebbels já era o censor, o cara que controlava o que a população podia saber pela imprensa. Com mestria se apoiava nos cinejornais, no rádio, nos folhetos, além de assistir e modificar os filmes de cinema — algumas vezes chegou a roteirizá-los. Workaholic, escrevia editoriais e lia muitos jornais. Ainda encontrou tempo, quando tudo estava perdido na Alemanha, para incentivar patéticos acordos com os países inimigos.

Vendo seu país invadido a Leste pela Rússia e a Oeste pelos ingleses e americanos, Goebbels ensaia uma ruptura com Hitler, o que não impede que morram juntos no início de 1945, o ministro e sua esposa dando veneno para seus filhos e depois se suicidando. Nos seus últimos textos não demonstra arrependimento, apenas pesar por não ter vencido a guerra. E por ter de abandonar Hitler, o grande amor de sua vida.

Iúri Rincon Godinho é jornalista e diretor da Contato Comunicação.

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nisof

MAIS UMA IMBECILIDADE HOLOCAU$TICA!!!