Euler de França Belém
Euler de França Belém

Fake news devolveram os leitores aos jornais tradicionais

Paixão pelas redes sociais é forte, mas, quando se trata de buscar informações confiáveis, recorre-se aos meios de comunicação tradicionais

Veja a montagem de um crime: Manuela Dávila aparece, na primeira foto, com a camiseta certa e, em seguida, com a informação falsa

A descentralização da produção de informações é louvável e, desde a consolidação das redes sociais, inevitável. Entretanto, nas eleições deste ano, o que se viu foi um retorno, em massa, dos leitores aos jornais tradicionais — que montaram estruturas para desmentir notícias falsas.

As pessoas começaram a perceber que, se as redes sociais são excelentes para manter contatos entre amigos e para a troca rápida de informações, nem sempre é local adequado para se buscar informações confiáveis. Num único dia, tanto no espaço público quanto no privado, recebi uma fotografia de Manuela Dávila (PC do B), a vice do candidato do PT a presidente da República, Fernando Haddad, na qual se lia “Jesus é travesti”. Não parece mas é uma montagem. Como saber se se trata de fake news? Dezenas de usuários correram aos jornais e revistas — no caso, a “Folha de S. Paulo” e a “Veja” — e publicaram links com reportagens esclarecedoras. Nenhuma das correções que verifiquei na minha página — tenho quase 5 mil “amigos” (alguns me chamam de “fascista” e outros de “comunista”) — foi produzida nas redes sociais.

Para a busca de informação precisa, além de eventuais correções, os usuários das redes sociais consultam os meios de comunicação tradicionais, como “Folha de S. Paulo”, “O Estado de S. Paulo” “O Globo”, Jornal Opção, “O Popular”, “Veja”, “Época”. Leitores sabem que, nestes veículos, há uma preocupação com a informação precisa. São, portanto, confiáveis.

Há, no momento, um conflito entre redes sociais e jornais. No Brasil, notadamente na “Folha de S. Paulo”, há uma demonização do Facebook. Primeiro, porque os vazamentos frequentes de informações privadas dos usuários sinalizam que o Facebook, embora diga o contrário, não se preocupa tanto com a proteção de sua “galinha dos ovos de ouro”. Segundo, o próprio Facebook é uma máquina poderosa de “venda” de informações particulares dos usuários. Terceiro, a rede social tomou providências para reduzir o acesso da produção jornalística dos jornais. Ainda assim, parte significativa do acesso de jornais e revistas advém das redes sociais. Além do que, muitas vezes, o debate iniciado numa rede social, a partir de um assunto divulgado por determinado jornal, acaba por levar os usuários-leitores a consultaram a fonte da notícia e, por vezes, a assiná-la.

A crise entre jornais e Facebook vai continuar, até porque há também o aspecto comercial. O Facebook está ensinando aos jornais como abrir novas fronteiras de faturamento, mas a aprendizagem tem sido lenta. A pendenga vai chegar ao fim quando os editores e proprietários de jornais entenderem que a guerra contra as redes sociais pode render artigos apocalípticos — em geral, sobre a possível decadência do Facebook; a queda do valor das ações é comemorada com manchetes sensacionalistas —, mas não renderão dinheiro algum. Criar uma conexão com as redes sociais — parcerias — será mais produtivo. O modelo jornalístico dos jornais ainda é eficiente — como mostra a volta dos leitores (muitos nem haviam abandonado os jornais), em busca de informações seguras, equilibradas e corretas —, o que está em questão é o modelo comercial, que faliu.

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