Euler de França Belém
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Experts discutem se Angela Merkel tem ou não Parkinson

Especialistas apontam que ansiedade, hipoglicemia ou problemas hormonais podem ter causado tremores da chanceler alemã

Chanceler alemã Ângela Merkel

“Angela Merkel — A Chanceler e Seu Mundo” (Inversos, 228 páginas), de Stefan Kornelius, é uma biografia “provisória” da política e gestora alemã. Porque sua história está em andamento. A proteção oferecida a refugiados, com a Alemanha assumindo uma responsabilidade mais ampla do que outros países europeus, mostra sua grandeza. Prestes a completar 65 anos, a física Angela Dorothea Merkel estaria doente? Teria Parkinson?

No sábado, 29, o jornal “Diário de Notícias”, de Portugal, publicou a reportagem “O que fez Merkel tremer? ‘À segunda vez, é motivo de preocupação”, assinada por Catarina Reis. O veículo de Portugal relata que o jornal espanhol “El Mundo” ouviu especialistas sobre o assunto.

De fato, está acontecendo alguma coisa com Angela Merkel, só que não é recente. Há cinco anos, uma entrevista da chanceler ao canal de televisão alemão ZDF teve de ser interrompida porque estava se sentindo mal. Em 2015, quando assistia a um espetáculo no Festival Wagner, caiu da cadeira. O problema foi apontado, mas, dada a firmeza da política, não se levou a discussão adiante.

Recentemente, ao receber o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, em Berlim, Angela Merkel começou a tremer de maneira incontrolável. A chanceler sugeriu que, devido ao calor (30 graus), havia se desidratado. Bebeu água e “melhorou”. O porta-voz do governo disse, em seguida, que ela estava bem. Mas na quinta-feira, 27, numa cerimônia com o presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, voltou a tremer.

O presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Rui Nogueira, admite que o excesso de calor, ao gerar desidratação, pode ter levado a chanceler a tremer. “Podia ser por estar muitas horas sem comer ou sem beber água suficiente. Pelo cansaço, pelas poucas horas de sono. É possível. E, se calhar, com a rotina que ela leva, dá para juntarmos tudo isso”. O médico ressalva que “uma noite de descanso seria suficiente para” resolver o problema. Ela não tem tempo para descansar? “Não acredito. Depois da primeira, e sendo uma figura pública, ficaria preocupado e teria o dobro do cuidado.” Acrescente-se que, no segundo episódio, a temperatura estava abaixo de 20 graus.

“Não invalida indícios de Parkinson”, pontua Rui Nogueira. O médico frisa, porém, que é “extremamente difícil que seja esse o caso”. Porque “há uma certa apatia na expressão facial dos doentes com esta patologia que não se verifica” em Angela Merkel.

Entrevistada pelo jornal “El Mundo”, a neurologista Teresa Maicas sustenta que os tremores não são típicos de Parkinson. “Os especialistas espanhóis adiantam a possibilidade de se tratar de uma crise de ansiedade”, anota o “Diário de Notícias”. Rui Nogueira contrapõe: “Se fosse uma crise dessas, não passaria em breves minutos”.

O médico Juan Carlos Portilla, da Sociedade Espanhola de Neurologia, destaca que os tremores provocados por Parkinson são mais contínuos e há outros sintomas neurológicos, como dificuldade para caminhar, o “que não parecem ser o caso”. Ele afirma que, para além de problemas neurológicos, deve se pensar em “determinadas alterações metabólicas”. “Uma hipoglicemia e uma queda da pressão arterial podem produzir tais sintomas” (os tremores). Alterações na tireoide também podem provocar tremores.

O médico Pablo Baz, coordenador nacional do Grupo de Trabalho de Neurologia da Sociedade Espanhola de Médicos de Atenção Primária, avalia que uma infecção pode gerar tremores. O médico pontua que medicamentos “que afetam o sistema nervoso também podem produzir tremores”.

Como não examinou a paciente, e não teve acesso a exames, Rui Nogueira não apresenta conclusões peremptórias. Mas percebe indício de “uma doença neurodegenerativa”. O médico sublinha que “‘pode ser tantas outras coisas’, como consequências do efeito de medicação, por exemplo. Avançar hipóteses será sempre um tiro no escuro, uma vez que não se conhece o histórico de saúde da dirigente alemã”.

O médico português anota, se fosse um parente ou paciente seu, “ficaria preocupado”. “É motivo para investigar.”

O porta-voz do governo alemão insiste que Angela Merkel está bem de saúde. “Não há razão para preocupação. Lembrar-se do episódio da semana passada levou à situação de hoje [quinta-feira], é um processo psicológico”, disse. O que reforça a tese da “ansiedade”? Numa reportagem, “El Mundo” sugere que a chanceler, dadas suas responsabilidades públicas, deve ser mais transparente e dizer o que realmente está acontecendo.

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