Euler de França Belém
Euler de França Belém

Executivo descobre que mercado financeiro “rouba” investidores e cria bolsa alternativa

Brad Katsuyama percebeu que os investidores, mesmo os grandes, eram lesados por bancos e corretoras e criou uma bolsa alternativa

Brad Katsuyama: o canadense que descobriu as malandragens e jogadas das bolsas americanas  e criou uma bolsa alternativa

Brad Katsuyama: o canadense que descobriu as malandragens e jogadas das bolsas americanas e criou uma bolsa alternativa

Depois de “A Jogada do Século — A História do Colapso Financeiro de 2008”, o jornalista Michael Lewis publicou outro livro notável, “Flash Boys — Revolta em Wall Street”. Ele conta a história de vários jovens envolvidos com o mercado financeiro dos Estados Unidos e suas várias bolsas — depois da crise de 2008. O livro saiu em 2014, nos Estados Unidos, em 2015 no Brasil.

Um dos personagens mais fascinantes é o canadense Brad Katsuyama, do Royal Bank of Canada. Enviado para Wall Street, para potencializar as finanças do banco, Brad descobre, em pouco tempo, que alguns estavam ganhando e muitos estavam perdendo dinheiro e sem saber por quê (às vezes, nem se percebia o que estava ocorrendo). Os grandes bancos e as corretoras de alta frequência — com programas de computadores rápidos (dadas linhas velozes) —, além de ganhar bilhões por ano, iludiam os investidores, e não só os pequenos e médios.

Ao descobrir o jogo das bolsas, dos bancos, das firmas de corretagem online — que, com microssegundos de vantagem, ganham bilhões de dólares, adquirindo e vendendo o filé das ações —, Brad Katsuyama decide sair do Banco do Canadá e, junto com vários colegas, montar uma nova bolsa, na qual os investidores, dos pequenos aos grandes, não seriam enganados e poderiam concorrer em igualdade de condições.

Este livro mostra como os grandes bancos americanos manipulam as bolsas e roubam descaradamente pequenos, médios e, até, grandes investidores

Este livro mostra como os grandes bancos americanos manipulam as bolsas e roubam descaradamente pequenos, médios e, até, grandes investidores

Ao anunciar a criação da In­vestors Exchange (IEX), Brad Katsuyama sentiu na pele o que é desafiar o poderoso mercado financeiro dos Estados Unidos. Es­palharam boatos sobre a IEX, tentaram atrapalhá-la de todas as formas. Mas o jovem executivo decidiu seguir adiante, contra todas as pressões dos girantes do setor. Pesou a favor do genial financista o fato de que grandes investidores, cientes de que estavam sendo passados para trás — até roubados — pelos bancos e corretoras, decidiram apoiá-lo. Sob nova direção, o Goldman Sachs decidiu avalizar a bolsa criada por Brad Katsuyama, rompendo o bloqueio das bolsas, grandes bancos e corretoras.

Michael Lewis relata que, “apesar de todo o empenho dos bancos de Wall Street, o tamanho médio das transações da IEX era, de longe, o maior entre todas as bolsas, públicas ou privadas. (…) A nova bolsa já estava fazendo os dark pools e as bolsas públicas passarem vergonha”. A bolsa criada por Brad Katsuyama não passa os investidores para trás? Ele garante que não e, por isso, é muito bem-sucedida.

A IEX abalou a estrutura das demais bolsas? Michael Lewis e Brad Katsuyama mais sugerem do que afirmam que “sim”. Na verdade, as dezenas de bolsas continuam atuando como antes — e sem intervenção do governo americano —, mas pelo menos se sabe, de maneira explícita, como manipulam o mercado e enganam os investidores. A IEX é uma válvula de escape, mas outros podem copiar a ideia.

O livro de Michael Lewis mostra que pouquíssimas pessoas entendem como funciona o novo mercado financeiro — forjado entre computadores, com escassa participação humana — e os que mais dizem entender às vezes são os que mais perdem dinheiro porque, na verdade, não o entendem com precisão.

Formado em Princeton, com mestrado em economia pela London School of Economics, mostra que há verdadeiros gênios (muitos deles são russos e chineses) trabalhando no mercado financeiro, seja no setor de tecnologia — cada vez mais decisivo —, seja no mercado de ações. Porém, na maioria das vezes eles não compreendem o que estão fazendo. Trata-se de um trabalho meio alienado. A ignorância coletiva é vital para que os bancos e corretoras, usando e abusando de linhas velozes, ganhem bilhões de dólares anualmente e sem enfrentar problemas com o governo dos Estados Unidos.

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