Euler de França Belém
Euler de França Belém

Estados nacionais provam que Google e Facebook não estão acima das leis

Na França, na Espanha e no Reino Unidos, as big techs terão de pagar pelos produtos jornalísticos utilizados

Facebook e Google estavam acima das leis — é como se os Estados nacionais não pudessem lidar com as big techs. Eram, até pouco tempo, espécies de James Bond da internet. Quanto aos jornais, usavam seus conteúdos como se estivessem fazendo um favor a eles, e não explorando-os para se tornarem bilionárias. Por certo, os proprietários de jornais e revistas assistiram a tudo “bestificados” — até mesmerizados. Afinal, a audiência subia em proporção geométrica, mas cedo descobriram que os anúncios “cresciam” em progressão aritmética. Durante a fase de encantamento, publicações faliram ou, para não quebraram, reduziram páginas ou migraram inteiramente para o mundo digital.

Com o “feitiço” quebrado, houve um despertar. Jornais e governos perceberam que era possível conter a força excessiva, e anti-leis, de Facebook e Google e decidiram agir. Perceberam que não dava mais trabalhar de graça — numa espécie de escravidão terrivelmente voluntária — para as duas empresas, entre outras.

Na França, sob pressão dos jornais e do governo, o Google decidiu pagar pelo conteúdo utilizado.

No Reino Unidos, o Facebook já está pagando aos jornais para divulgar suas notícias.

Espanha decidiu taxar o Google (o Imposto Google, como é conhecido). Se usar o conteúdo das publicações espanholas, como costuma fazer, o Google terá de pagar.

A Austrália pressiona o Google e o Facebook para que paguem os jornais, revistas, sites. As empresas ameaçam sair do país, mas certamente não o farão. É apenas contrapressão. Vão pagar, mas menos dos que a mídia quer. Mas o importante é que terão de pagar. É só o começo de uma reação que tardou mas chegou.

Eric Hobsbawm disse, certa feita, a globalização criava a ideia de que os Estados nacionais poderiam desaparecer. A reação dos jornais e dos governos prova que, pelo contrário, os Estados nacionais são sólidos e as empresas gigantes têm de se curvar ante as leis locais.

O historiador britânico estava certo: a globalização não acabou, nem vai acabar, com os Estados nacionais. Eles são profundamente necessários, até para proteger a diversidade dos países e dos povos.

Na Espanha, acaba de entrar em vigor uma lei tributária que cria o chamado Imposto Google, impondo taxas aos agregadores de internet por vincularem-se a conteúdos de mídia protegidos por direitos autorais.

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