Euler de França Belém
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Empreiteiro Léo Pinheiro diz que governo de Dilma Rousseff trabalhou para travar CPMI da Petrobrás

Ex-presidente da OAS admite que cometeu crimes e menciona que, em encontro na casa de Gim Argello, Ricardo Berzoini sugeriu que ajudasse a impedir desenvolvimento de CPMI

Dilma Rousseff e Ricardo Berzoini: aliados na ação para bloquear a CMPI da Petrobrás | Foto de Antônio Cruz/Agência Brasil

Dilma Rousseff e Ricardo Berzoini: aliados na ação para bloquear a CPMI da Petrobrás | Foto de Antônio Cruz/Agência Brasil

Em depoimento ao juiz Sergio Moro, em Curitiba, na terça-feira, 13, o ex-presidente da empreiteira OAS Léo Pinheiro admitiu que cometeu crimes e que decidiu confessá-los. “Eu queria agradecer ao senhor e ao Ministério Público a oportunidade para eu esclarecer, para falar a verdade, mesmo que esses fatos me incriminem. Eu cometi crimes e para o bem da Justiça da nosso país, para o bem da sociedade, estou aqui para falar a verdade, para falar tudo que eu sei”, sublinhou o poderoso empresário.

Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, decide abrir o jogo / Foto da Agência Brasil

Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, decide abrir o jogo / Foto da Agência Brasil

O amigo íntimo do ex-presidente Lula da Silva, o Brahma, Léo Pinheiro contou que reuniu-se com ex-senador Gim Argello (PTB-DF), na casa deste, na presença do ex-senador Vital do Rego. Mas a informação nova é que, num encontro em que articulava a blindagem do governo e das empreiteiras nas investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobrás, em 2014, esteve presente Ricardo Berzoini, então ministro de Relações Institucionais do governo de Dilma Rousseff. Léo Pinheiro pagou 350 mil reais de propinas para Gim Argello. “Fui convocado para um encontro na casa do senador Gim Argello e lá chegando estavam presentes o senador Vital do Rego e, para minha surpresa, estava presente o ministro das Relações Institucionais do governo Dilma, o ministro Ricardo Berzoini. Eu fiquei surpreso, eu não [o] conhecia pessoalmente”, contou o empreiteiro ao juiz Sergio Moro.

Noutro encontro, Léo Pinheiro revelou que Ricardo Berzoini estava ao lado de dois parlamentares. “O ministro relatou que era uma preocupação muito grande do governo da presidente Dilma o desenrolar dessa CPMI e gostaria que as empresas pudessem colaborar, o quanto possível, para que essas investigações não tivessem uma coisa que prejudicassem o governo”, depôs o empreiteiro. A fala de Léo Pinheiro implica, de vez, a ex-presidente Dilma Rousseff, por intermédio de um ministro, que nada faria sem consultá-la, na tentativa de abortar a CPMI da Petrobrás e impedir as investigações.

Léo Pinheiro já foi condenado a 16 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa pela Operação Lava Jato.

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